O futuro do tão aguardado Hospital de Urgência e Emergência de Rondônia (Heuro) parece ter sido comprometido. Um decreto publicado na edição suplementar do Diário Oficial do Estado, em 14 de julho, determinou o remanejamento de R$ 231.565.360,00 do Fundo Estadual do Heuro (Fun-Heuro) para outras atividades dentro da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).
A decisão governamental impacta diretamente a construção do novo hospital, que prometia ser um marco na saúde pública rondoniense. Enquanto o discurso de pré-candidatos alinhados ao governo fala em melhorias, as ações concretas parecem ir em sentido oposto, levantando questionamentos sobre as prioridades na gestão da saúde no estado.
O remanejamento, aprovado pela base aliada do governador Marcos Rocha na Assembleia Legislativa, destinou uma parcela significativa dos recursos para a Unidade Administrativa da Sesau, totalizando R$ 177.872.000,00. Essa verba será utilizada em despesas como pagamento de diárias, passagens aéreas, gratificações e auxílios, além do gerenciamento da rede do Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o estado. Conforme informação divulgada pelo Rondoniagora.com, o restante dos fundos foi distribuído para beneficiar prefeituras, convênios, hospitais particulares e o fomento de ações nas redes de atenção à saúde.
Secretário de Saúde, indicado por Fúria, teve papel crucial no fim do Heuro
Adailton Fúria, pré-candidato governista, tem criticado a situação da saúde em suas aparições públicas, prometendo mudanças. No entanto, seu secretário de Estado da Saúde, Edilton Oliveira dos Santos, nomeado por Fúria, teve uma participação fundamental na decisão de encerrar o projeto do Heuro. Ele teria defendido o remanejamento dos recursos, argumentando a necessidade de direcioná-los para outras áreas consideradas prioritárias pela Sesau.
Tribunal de Contas já havia destinado R$ 50 milhões para o Heuro
A notícia do fim do Heuro contrasta com ações passadas que demonstravam apoio à construção do hospital. Em 2019, o Tribunal de Contas (TCE) de Rondônia foi um dos protagonistas ao destinar R$ 50 milhões para o Fun-Heuro. Essa verba foi fruto de uma expressiva economia realizada pelo órgão, que priorizou o repasse ao Tesouro Estadual em detrimento da construção de sua própria sede. O objetivo era auxiliar o governo na edificação do que seria o novo Hospital de Urgência e Emergência de Rondônia.
Histórico de planos frustrados para a construção do Heuro
O caminho para a construção do Heuro tem sido marcado por obstáculos e planos que não se concretizaram. Após o distrato com o consórcio Vigor Turé, que deveria construir o hospital pelo sistema Built to Suit (BTS), o governo chegou a considerar a aquisição e adaptação de uma antiga faculdade em Porto Velho. Houve até a sanção da Lei 6.156/2025, que autorizava um crédito de R$ 67,1 milhões para a obra. Contudo, nem o sistema BTS, nem a compra do imóvel se mostraram viáveis para garantir a construção do novo hospital de urgência e emergência em Rondônia.
Promessas de Fúria reacendem esperança, mas ações do governo geram ceticismo
Diante do cenário, restam as promessas do pré-candidato a governador Adailton Fúria, cujo secretário de Saúde foi um dos articuladores do fim do Heuro. A população de Rondônia aguarda por ações concretas que possam, de fato, viabilizar a construção de um novo hospital de urgência e emergência, fundamental para o atendimento à saúde no estado. As recentes decisões, no entanto, geram um clima de ceticismo quanto à concretização desse sonho.
