EUA intensificam ataques no Irã, defensas aéreas são acionadas em Teerã e outras cidades
As forças americanas voltaram a realizar bombardeios contra alvos militares no Irã na noite de terça-feira (21), de acordo com o Comando Central americano (Centcom). A imprensa iraniana reportou que as defesas aéreas do país foram ativadas em Teerã para combater o que chamaram de “alvos hostis”, indicando uma escalada na tensão entre as duas nações.
Os ataques, que segundo o Centcom começaram por volta das 20h (horário de Brasília), seguem uma série de operações que já completam 11 noites consecutivas. O objetivo declarado pelos militares americanos é reduzir a capacidade do Irã de ameaçar a navegação comercial no estratégico Estreito de Ormuz, uma rota vital para o comércio global de petróleo.
A agência iraniana Nour News confirmou a ativação das defesas aéreas na capital, Teerã. Paralelamente, as agências semioficiais Fars e Tasnim noticiaram a ocorrência de explosões em áreas portuárias no sul do Irã, além da cidade de Tabriz. Até o momento, não há informações oficiais sobre possíveis danos materiais ou vítimas decorrentes desses ataques, conforme divulgado pelo Centcom.
Montanha Pickaxe, foco de tensão nuclear, é citada como futuro alvo dos EUA
A recente declaração do Centcom surge após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado que atacaria “muito em breve” a região da montanha Pickaxe. Essa área ganhou notoriedade por abrigar um complexo de túneis subterrâneos adjacente à instalação nuclear de Natanz, um dos principais centros do programa nuclear iraniano.
Em 13 de julho, Trump declarou a intenção dos EUA de “eliminar” o complexo subterrâneo, citando sua relevância para as atividades nucleares do Irã. Os túneis, com profundidade superior a 100 metros, são considerados resistentes até mesmo às bombas antibunker mais potentes do arsenal americano, aumentando a preocupação internacional.
Programa nuclear iraniano sob escrutínio internacional e desconfiança da AIEA
Embora o governo iraniano insista que seu programa nuclear possui fins exclusivamente pacíficos, os Estados Unidos sustentam que a montanha Pickaxe é utilizada para atividades relacionadas ao enriquecimento de urânio ou à fabricação de centrífugas. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) nunca obteve acesso ao complexo, o que alimenta as dúvidas sobre sua real finalidade.
Relatórios de inteligência recentes indicaram que o Irã poderia ter transferido centrífugas para os túneis da montanha, intensificando a pressão dos Estados Unidos e de Israel sobre o local. Essa movimentação reforça a percepção de que o complexo pode se tornar um alvo prioritário em uma eventual escalada militar na região.
Estreito de Ormuz: rota estratégica e ponto de atrito constante entre EUA e Irã
O Estreito de Ormuz, palco frequente de tensões e exercícios militares, é uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Sua importância estratégica reside no fato de ser a única passagem para o mar para o petróleo extraído no Golfo Pérsico, sendo por onde passa cerca de 30% do petróleo transportado por via marítima no mundo.
Os Estados Unidos têm reiterado seu compromisso em garantir a liberdade de navegação na região, acusando o Irã de realizar ações que colocam em risco o tráfego marítimo. Os recentes ataques americanos visam, segundo o Centcom, dissuadir o Irã de qualquer tentativa de interferir no tráfego comercial e militar através deste corredor vital.
