Passageiro relata momentos de pânico e alívio após janela se romper em pleno voo
O sérvio Ljubisa Karović, de 61 anos, descreveu o momento aterrorizante em que foi parcialmente sugado para fora de um avião da Ryanair após uma janela se quebrar durante um voo. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, ele classificou a sobrevivência como um milagre, atribuindo sua salvação à sorte e à fé.
O incidente ocorreu em 10 de julho, em uma viagem entre a Grécia e a Alemanha, onde Karović se dirigia para celebrar o aniversário de seu irmão. As sequelas do acidente ainda o afetam, com dores persistentes e a necessidade de usar um colar cervical.
Karović contou que o som da explosão que rompeu a janela é uma lembrança constante, ressurgindo sempre que ele tenta dormir. A aeronave precisou realizar um pouso de emergência, e o passageiro revelou ter desmaiado várias vezes durante o caos.
O terror em alta altitude
O momento exato da ruptura da janela foi descrito por Karović como uma “explosão”. “É o barulho antes do caos, o barulho que está sempre lá quando fecho os olhos para dormir”, disse.
Após ser sugado para fora, Karović conseguiu ser puxado de volta para dentro da aeronave, mas os desmaios se repetiram. Ele foi hospitalizado e recebeu alta há poucos dias, mas as dores na cabeça e no pescoço o acompanham.
Os médicos recomendaram o uso de um colar cervical por, pelo menos, seis semanas, e avaliam a necessidade de cirurgia. Além disso, Karović sofreu queimaduras e hematomas no braço direito, e revelou que não pretende voltar a viajar de avião “tão cedo”.
“Tenho sorte”, afirma sobrevivente
Em meio ao trauma, Karović expressou gratidão pela vida. “Estou vivo. Pode ter sido o cinto de segurança, o fato de eu ainda estar preso ao assento. Mas talvez tenha sido o destino. Eu acredito em Deus e agradeço a ele todos os dias”, afirmou. “Tenho sorte.”
O advogado de Karović, Vasilis Tsiaras, destacou a gravidade da situação, afirmando que seu cliente esteve “entre a vida e a morte”. Ele também criticou a atuação da tripulação, alegando que não houve oferta de ajuda durante o incidente.
Ryanair se manifesta sobre o acidente
A Ryanair, em resposta às críticas, afirmou que, em casos de despressurização, todos a bordo são instruídos a afivelar cintos e usar máscaras de oxigênio. A companhia garantiu que a tripulação prestou assistência assim que a aeronave atingiu uma altitude segura.
O CEO da Ryanair, Michael O’Leary, indicou que uma investigação preliminar aponta um “objeto estranho” como causa do incidente, que teria atingido o motor durante a decolagem e, consequentemente, a janela do Boeing 737. A empresa aposta que a confirmação de danos por objeto externo pode isentá-la de responsabilidade.
O avião em questão tem 18 anos e o motor passou por revisão completa nos dois anos anteriores ao acidente. Um relatório preliminar sobre o caso deve ser divulgado em cerca de 28 dias.
