Cubano Deportado para o México por Erro em Ordem Judicial Retorna aos EUA Após Três Meses de Agonia
Lázaro Romero León, um cidadão cubano de 59 anos, vivenciou uma jornada de pesadelo após ser deportado dos Estados Unidos para o México, mesmo possuindo uma ordem judicial federal que proibia sua extradição. A saga para retornar ao território americano durou quase três meses e envolveu uma série de dificuldades e incertezas.
Romero León residia em Porto Rico, território americano, onde se estabeleceu após deixar Cuba nos anos 1990. Ele mantinha uma ordem de expulsão pendente desde 2002, mas, devido à ausência de um acordo de deportação entre EUA e Cuba, era permitido que permanecesse no país, cumprindo com apresentações periódicas ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).
Em maio de 2025, seis agentes do ICE o detiveram em frente à sua casa em Aguadilla, Porto Rico, sem maiores explicações. Ele foi levado a centros de detenção na Califórnia e no Arizona. Apesar de uma ordem judicial emitida pelo juiz federal Hernán Diego Vera em dezembro, proibindo sua deportação para o México até a resolução de seu caso, um aparente erro de comunicação levou à sua expulsão para o país vizinho em 16 de fevereiro deste ano.
Conforme relatado por Romero León à BBC News Mundo, os quase três meses seguintes foram de “pura agonia”. Sem documentos e em situação de rua em Tapachula, Chiapas, no sul do México, ele dependia de doações para se alimentar e usava as mesmas roupas com que foi deportado. Ele testemunhou a situação de muitos outros cubanos em condições semelhantes, idosos, doentes e sem recursos.
O Ponto de Vista do Departamento de Segurança Nacional
O Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos (DHS) classificou Romero León como um “imigrante ilegal criminoso com extenso histórico de delitos”, incluindo condenações por agressão, tráfico de maconha e falsificação de documentos, algumas delas ocorridas há mais de duas décadas. Um porta-voz do DHS afirmou que o caso recebeu “o devido processo completo, incluindo uma ordem final de deportação de um juiz” e que o ICE cumpre as ordens judiciais, reiterando que “imigrantes ilegais criminosos não são bem-vindos nos Estados Unidos”.
A Política de Deportação e a Situação dos Cubanos
A situação de Romero León reflete uma mudança na política de deportação dos EUA, especialmente em relação a imigrantes cubanos. Tradicionalmente, a deportação de cubanos era complexa devido à falta de acordos com Cuba. No entanto, sob a administração Trump, houve um aumento nas operações antimigratórias e na busca por acordos com “terceiros países” para receber deportados. Relatórios indicam um aumento significativo nas prisões de cubanos pelo ICE.
A Odisseia no México
No México, Romero León enfrentou novas dificuldades. Agentes migratórios o interceptaram e o levaram a outro centro de detenção, sendo posteriormente deixado na fronteira com a Guatemala. Sua advogada, Margaret Farrand, lutou arduamente por seu retorno, tentando diferentes meios, incluindo a compra de passagens de ônibus, que foram frustradas por barreiras migratórias mexicanas. A advogada questionou a falta de um mecanismo para o retorno de pessoas deportadas indevidamente.
O Retorno e a Nova Realidade nos EUA
Em 8 de maio, com um salvo-conduto e a coordenação entre autoridades americanas e mexicanas, Lázaro Romero León finalmente conseguiu embarcar em um voo para Tijuana e, posteriormente, cruzar a fronteira para os Estados Unidos. Ele retornou à custódia do ICE e, após passar por um novo centro de detenção, foi liberado sob supervisão, com a obrigação de comparecer a um escritório do ICE em Los Angeles. Sua jornada, marcada por um erro administrativo e uma longa luta pela justiça, destaca as complexidades e os dramas humanos do sistema de imigração.
