Projeto de Resort Ligado à Família Trump Causa Danos Irreparáveis a Área de Preservação na Albânia
Imagens de satélite revelam o impacto devastador de obras preparatórias para um megaempreendimento turístico ligado à família Trump na costa da Albânia. Em apenas um mês, trabalhos iniciais já causaram danos considerados “irreparáveis” à paisagem e à fauna local, gerando forte preocupação entre ONGs e cientistas ambientais.
A construção de um complexo hoteleiro de luxo, que prevê hotéis em meio a colônias de flamingos e em uma ilha desabitada, iniciou com a abertura de estradas, desmatamento e a construção de uma ponte. Essas intervenções, realizadas rapidamente, já impactaram ecossistemas sensíveis e ameaçam a biodiversidade da região.
As atividades de preparação do terreno, que incluem a destruição de dunas, o corte de árvores e o despejo de concreto em áreas costeiras, colocam em risco espécies de aves e locais de nidificação de tartarugas-cabeçudas, ameaçadas de extinção. A situação gerou protestos e a mobilização de especialistas para avaliar a extensão dos danos. Conforme informações divulgadas pela AFP, o projeto tem um custo superior a 4,5 bilhões de euros.
Impactos Ambientais Severos na Costa Albanesa
As obras para o futuro resort, citado pela primeira vez em 2024 por Jared Kushner, genro do ex-presidente dos EUA Donald Trump, já provocaram a destruição das dunas de Narta. A abertura de vias de acesso e o desmatamento resultaram na derrubada de árvores e na aplicação de concreto em zonas costeiras, afetando diretamente a vida selvagem.
“As escavadeiras nas praias já danificaram os locais de nidificação das tartarugas-cabeçudas, ameaçadas de extinção. Um verdadeiro desastre para a biodiversidade”, denuncia o biólogo marinho Olsi Nika, da ONG EcoAlbania. Ele acrescenta que as intervenções em um canal essencial entre a lagoa e o mar alteraram gravemente as trocas de água, fundamentais para o equilíbrio das zonas úmidas.
Cientistas Alertam para Danos Irreversíveis e Mudanças na Legislação
Ferdinand Bego, professor da Universidade de Tirana, ressalta que, apesar dos protestos terem suspendido parte dos trabalhos, os “danos causados antes da construção, em termos de patrimônio, são em grande parte irreparáveis”. A opinião é reforçada pelo professor Friedrich Schiemer, da Universidade de Viena, que visitou o local e alertou para o risco de comprometer “de maneira irreversível” a integridade natural do delta.
Um grupo de cientistas que visitou a área em meados de junho constatou “danificações aos habitats de nidificação da tartaruga cabeçuda pelo uso de maquinário pesado ao longo das praias de Dajlan e Portonova”. Eles também apontaram “intervenções no canal de Portonova, suscetíveis de modificar a troca natural de água entre a lagoa e o mar”, além de uma “perturbação maior das espécies de aves”.
Projeto Gera Indignação e Apoio de Celebridades
O projeto, que gerou indignação há seis semanas com a instalação de cercas de arame farpado para delimitar a área, recebeu o apoio da cantora britânica de origem kosovar Dua Lipa. Ela expressou preocupação sobre as condições em que a licença de construção foi concedida, especialmente após a modificação da lei em 2024 para facilitar tais empreendimentos.
O governo albanês, liderado pelo primeiro-ministro Edi Rama, defende o projeto, classificado por ele como “o mais bonito da Europa”, argumentando que trará capitais internacionais e elevará o turismo do país. No entanto, a União Europeia, à qual a Albânia almeja aderir em 2030, interveio para recordar as negociações sobre meio ambiente e mudança climática. A comissária europeia de Ampliação, Marta Kos, declarou em julho que as modificações em leis sobre áreas protegidas e investimentos estratégicos seriam revogadas.
