Trump avalia que Venezuela não está pronta para eleições presidenciais em meio a desastre natural e negociações políticas

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Trump diz que Venezuela ainda não está pronta para eleições presidenciais, apesar de progresso.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira (24) que a Venezuela ainda não se encontra em condições ideais para a realização de novas eleições presidenciais. As declarações ocorrem em um momento delicado para o país, marcado por um grave desastre natural e por negociações políticas internas.

A conjuntura atual na Venezuela é complexa, com a nação ainda se recuperando de um terremoto devastador que deixou mais de 5 mil mortos. A tragédia natural intensifica a necessidade de estabilidade e de instituições fortes, conforme apontado pelo próprio governo americano.

Apesar de descartar um pleito presidencial em curto prazo, Trump reconheceu que o país tem apresentado “muito progresso” sob a gestão da presidente interina. Essa avaliação, no entanto, contrasta com a situação de líderes opositores que enfrentam restrições para retornar ao país. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo.

Terremoto agrava crise e expõe fragilidades venezuelanas

A Venezuela foi atingida por dois tremores de terra de magnitudes 7,2 e 7,5 no dia 24 de junho, configurando o terremoto mais mortal desde 1812 e o pior desastre natural da história recente do país. As equipes de resgate e familiares continuam a busca por vítimas entre os escombros, com centenas de pessoas ainda desaparecidas. O custo para a reconstrução das áreas afetadas é estimado em bilhões de dólares.

O balanço oficial divulgado aponta para mais de 5 mil mortos e cerca de 17 mil feridos. Além disso, 190 edifícios desabaram completamente e quase mil sofreram danos estruturais, deixando pelo menos 20 mil pessoas em abrigos temporários. A incerteza sobre o número de desaparecidos persiste, com uma plataforma pública indicando quase 30 mil pessoas sem contato com seus familiares.

Negociações políticas e o papel dos Estados Unidos

Em paralelo à crise humanitária, o cenário político venezuelano segue em desenvolvimento. Membros do partido governista e da oposição se reuniram no mês passado, após a assinatura de um acordo para a realização das eleições presidenciais de 2024. As negociações formais estão previstas para iniciar em agosto.

A presidente interina, Delcy Rodríguez, comanda o país na ausência do líder chavista, que está preso em Nova York e aguarda julgamento em junho de 2027. Ao seu lado, Jorge Rodríguez, irmão dela e presidente da Assembleia Nacional, conduz as negociações políticas. Segundo Trump, Jorge Rodríguez tem “colaborado” com os interesses dos Estados Unidos no país.

Restrições a opositores e apoio à gestão interina

Apesar de afirmar que a Venezuela fez progressos, os Estados Unidos têm imposto restrições a figuras da oposição. Recentemente, a líder opositora María Corina Machado foi impedida por Washington de retornar ao seu país, uma decisão considerada pelo governo americano como contraproducente e oportunista. A ação abortou a decolagem de um avião particular que a levaria para Curaçao, de onde tentaria retornar à Venezuela.

Essa medida enfraquece Machado, que em dezembro passado, com o auxílio dos EUA, fugiu da Venezuela para Oslo. O Departamento de Estado americano publicou uma nota em 16 de junho, considerando o plano de trabalho firmado entre o governo interino e parte da oposição como um “passo importante”. A iniciativa visa fortalecer as instituições democráticas, aprimorar o sistema eleitoral e ampliar as garantias para a participação política.

Necessidade de união e instituições fortes

O governo americano ressaltou, em nota, que os terremotos que atingiram a Venezuela demonstraram a urgência de união política e de instituições capazes de atender às necessidades da população. Semanas antes, os EUA já haviam sinalizado apoio contínuo ao regime liderado pela presidente interina, destacando a importância de um governo funcional em tempos de crise.

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