Israel ataca mesquita em Gaza e alega ter destruído depósito de armas do Hamas, elevando mortes sob cessar-fogo
As forças israelenses confirmaram nesta quarta-feira (29) o bombardeio que destruiu a mesquita Al Muttaqin na Cidade de Gaza. O ataque ocorreu na terça-feira (28), em meio a um cessar-fogo que, segundo relatos, não tem impedido novas ofensivas israelenses contra o território palestino.
Desde o início da trégua em outubro de 2025, mais de 1.200 pessoas morreram em Gaza, de acordo com a agência AFP. A situação humanitária no território, onde cerca de 2 milhões de habitantes vivem em condições precárias, continua a se deteriorar.
O comando militar de Israel declarou que o ataque à mesquita visava desmantelar um depósito de armas do Hamas, instalado no local. A confirmação do bombardeio surge em um momento de impasse nas negociações para um acordo de paz definitivo, enquanto a população local relata ataques contínuos.
Mesquita Al Muttaqin é completamente destruída em ataque israelense
Fotos divulgadas pela AFP mostram o impacto do bombardeio, com fogo e uma densa coluna de fumaça se elevando sobre abrigos de deslocados na Cidade de Gaza. Após o ataque, palestinos foram vistos removendo escombros, evidenciando a devastação.
Amir Abu Al-Amrain, diretor-geral do Ministério de Dano e Assuntos Religiosos na Faixa de Gaza, ligado ao Hamas, afirmou que a mesquita foi “completamente destruída”. A destruição de locais religiosos e infraestruturas civis tem sido uma marca do conflito.
Israel alega ter avisado civis antes do bombardeio
As forças israelenses justificaram o ataque alegando que “concederam avisos prévios aos civis”. Segundo o comunicado militar, a operação teve como objetivo desmantelar “vários depósitos de armas do Hamas no centro e no norte da Faixa de Gaza”.
No entanto, relatos locais pintam um quadro diferente. Shehadeh Badawi, um morador que testemunhou o ataque, questionou a validade do cessar-fogo, descrevendo ataques diários e a ameaça a veículos civis e outras estruturas.
Trégua fragilizada e negociações de paz estagnadas
A confirmação do bombardeio à mesquita ocorre em um contexto de tensões elevadas e negociações de paz estagnadas. A guerra em Gaza, iniciada em 7 de outubro de 2023 após um ataque do Hamas a Israel, já causou um número alarmante de mortes e destruição.
Dados da Unesco indicam que, até 24 de março de 2026, 164 locais foram danificados, incluindo 14 locais religiosos, desde o início do conflito. A situação humanitária, com a maioria da população concentrada em áreas precárias, agrava a crise.
Israel controla 64% de Gaza desde abril, com população em abrigos improvisados
Desde abril, Israel exerce controle efetivo sobre aproximadamente 64% de Gaza. A vasta maioria dos cerca de 2 milhões de habitantes do território está confinada em uma estreita faixa litorânea sob controle do Hamas.
Essas pessoas vivem em grande parte em edifícios danificados ou em abrigos improvisados, enfrentando condições humanitárias extremamente precárias, com escassez de alimentos, água e suprimentos médicos.
