Guerra Irã-EUA: América propõe acordo nuclear com 15 pontos, Teerã exige reparação de danos e fim da ‘agressão’

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Tensão no Oriente Médio: EUA e Irã trocam propostas de paz com exigências conflitantes

A guerra no Oriente Médio, que completa um mês no próximo sábado (28), vê os Estados Unidos e o Irã em lados opostos de negociações de paz. Fontes da imprensa americana e iraniana divulgaram, entre terça-feira (24) e quarta-feira (25), planos com condições distintas para um eventual cessar-fogo.

Os Estados Unidos, por meio do Paquistão, enviaram ao Irã uma proposta de 15 pontos, que inclui exigências rigorosas sobre o programa nuclear e o financiamento a grupos aliados. Contudo, Teerã rejeitou publicamente a oferta, classificando-a como “excessiva e desconectada da realidade”, e apresentou sua própria contraproposta.

A divulgação dessas propostas ocorre em um momento de alta escalada de tensões, com declarações beligerantes de ambos os lados e sinais de intensificação militar por parte dos EUA. A possibilidade de um acordo, e as condições para tal, permanecem incertas, com a guerra impactando a estabilidade regional e global.

Plano Americano: Foco em Desnuclearização e Controle de Mísseis

Segundo a imprensa americana, o plano dos Estados Unidos, enviado ao Irã através do Paquistão, detalha 15 exigências. Entre elas, está o compromisso de Teerã em não desenvolver armas nucleares e a limitação do alcance e quantidade de seus mísseis. A proposta também demanda a desativação das usinas de enriquecimento de urânio em Natanz, Isfahan e Fordow.

Outro ponto crucial do plano americano é o fim do financiamento a grupos aliados como Hamas e Hezbollah, além da criação de uma zona marítima livre no Estreito de Ormuz. Em contrapartida, os Estados Unidos ofereceram, de acordo com o jornal The Wall Street Journal, a suspensão das sanções econômicas ligadas ao programa nuclear iraniano e a possibilidade de auxiliar e monitorar um programa nuclear civil com fins pacíficos.

A proposta americana, em linhas gerais, segue a postura já defendida pelos EUA antes do início da guerra. O jornal The Wall Street Journal também aponta que a proposta prevê um cessar-fogo de 30 dias para viabilizar o avanço das negociações.

Resposta Iraniana: Reparação de Danos e Fim da “Agressão”

Em resposta à proposta americana, o Irã, através de sua imprensa estatal, rejeitou veementemente o plano, chamando-o de “excessivo e desconectado da realidade”. Teerã afirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, não ditará o fim do conflito. O governo iraniano apresentou uma contraproposta com cinco condições para encerrar a guerra.

As exigências iranianas incluem a interrupção total da “agressão e dos assassinatos” por parte do “inimigo”, a criação de mecanismos para garantir que a guerra não seja retomada, e o ressarcimento e reparações por danos causados durante o conflito. O Irã também exige o fim da guerra em todas as frentes, incluindo para todos os grupos de resistência na região, e o “exercício da soberania” sobre o Estreito de Ormuz.

Autoridades iranianas ressaltaram que essas exigências se somam a outras já apresentadas em negociações anteriores com os EUA, realizadas poucos dias antes do início da guerra. No entanto, fontes ouvidas pela Reuters indicam que o Irã não rejeitou completamente a proposta americana e busca incluir o Líbano em um eventual acordo de cessar-fogo, visando interromper ataques de Israel ao Hezbollah.

Declarações Ameaçadoras e Movimentação Militar

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou que Trump “vai desencadear o inferno” contra o Irã caso Teerã não aceite um acordo. “Se o Irã não aceitar a realidade do momento atual, se não entender que foi derrotado militarmente e que continuará sendo, o presidente Trump garantirá que receba golpes mais duros do que quaisquer que já tenha recebido antes”, afirmou.

Um dia antes, Trump já havia mencionado que o Irã desejava fechar um acordo e que o país não possuía mais líderes. Essas declarações ocorrem em paralelo à preparação dos EUA para o envio de milhares de soldados ao Oriente Médio, segundo a Reuters. A agência também informou que os EUA podem realizar uma operação terrestre no Irã, com opções como a tomada da ilha de Kharg, crucial para as exportações de petróleo do país.

Impacto na Popularidade de Trump

Em meio às tensões e à guerra, uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta terça-feira mostrou que a aprovação do governo Trump caiu para 36%, o menor nível de seu segundo mandato. Segundo a Reuters, essa queda está ligada às ações de Trump na guerra contra o Irã, com o conflito e a alta dos combustíveis apontados como os principais fatores para o descontentamento popular.

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