PANCs em Rondônia: Descubra Sabores Nutritivos e Escondidos em Quintais e Calçadas
Em Rondônia, o que muitos chamam de “mato” pode ser, na verdade, um tesouro nutricional. Plantas alimentícias não convencionais (PANCs) florescem em quintais, calçadas e terrenos baldios, oferecendo um potencial nutritivo superior ao de hortaliças comuns. Essas espécies, muitas vezes negligenciadas, representam uma rica fonte de vitaminas, minerais, proteínas e fibras.
A professora de Botânica da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Osvanda Silva de Moura, explica que as PANCs são vegetais comestíveis que não fazem parte da nossa rotina alimentar e não possuem uma cadeia produtiva em larga escala. Apesar de pouco conhecidas, elas são essenciais para a biodiversidade e a segurança alimentar.
A diversidade amazônica de Rondônia favorece o surgimento de diversas PANCs. A professora Osvanda Silva de Moura destaca que, embora pouco conhecidas, muitas dessas espécies podem ser até mais nutritivas que hortaliças tradicionais, apresentando um teor muito elevado de vitaminas, minerais, proteínas e fibras. A professora ressalta que, por causa da biodiversidade amazônica, Rondônia reúne uma grande variedade dessas plantas, conforme informação divulgada pela Unir.
A Riqueza das PANCs em Rondônia
Em Rondônia, espécies como a taioba, o ora-pro-nóbis, o caruru e a beldroega são exemplos de PANCs que crescem espontaneamente. Elas são frequentemente encontradas em áreas urbanas e rurais do estado, representando um recurso alimentar acessível.
Além dessas, a lista de PANCs encontradas em Rondônia inclui o inhame, caapeba, pajurá, araçá-boi, lambari-roxo e camu-camu. O Viveiro Educativo da Unir também cultiva espécies como buganvília (primavera), brilhantina, erva-de-jabuti, begônia e sara-tudo, demonstrando o potencial de cultivo dessas plantas.
Cuidado e Identificação: Essenciais para o Consumo Seguro
Apesar dos inúmeros benefícios nutricionais, a professora Osvanda Silva de Moura alerta para a importância da identificação correta de cada espécie antes do consumo. Ela cita a taioba como um exemplo crucial, pois pode ser confundida com a taioba-brava, que contém altos níveis de oxalato de cálcio e pode causar irritações e intoxicações, mesmo após o cozimento.
É fundamental evitar a coleta de plantas em locais com risco de contaminação, como áreas próximas a esgoto, vias com tráfego intenso ou locais frequentados por animais. A higienização de qualquer planta coletada é indispensável antes do preparo para garantir a segurança alimentar.
Versatilidade e Potencial das Plantas Alimentícias Não Convencionais
As PANCs podem ser incorporadas à dieta de diversas formas, dependendo da espécie. Algumas são ideais para saladas, sucos e pratos frios, enquanto outras requerem cozimento. Podem também enriquecer sopas, refogados, bolos, pães e massas, adicionando sabor e nutrientes.
A pesquisadora ressalta que, além dos benefícios nutricionais, as PANCs podem ampliar o acesso à alimentação, promovendo uma dieta mais diversificada e sustentável para a população. Seu cultivo e consumo representam uma forma de valorizar a biodiversidade local e fortalecer a segurança alimentar.
