Entenda a Doutrina Monroe e a reafirmação da influência dos EUA nas Américas
O Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou um vídeo nesta terça-feira (11) que reafirma a política de domínio do país sobre o continente americano, declarando que essa influência “nunca mais será questionada”. A publicação repassa o histórico da Doutrina Monroe, uma estratégia que moldou a política externa americana por mais de dois séculos.
O vídeo surge em um contexto de crescente apoio dos EUA a governos de direita na América Latina, com exemplos recentes de envolvimento em eleições e políticas regionais. A ação contra o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, capturado em janeiro, é apresentada como um dos exemplos mais atuais da aplicação dessa doutrina.
A Doutrina Monroe, criada em 1823 pelo presidente James Monroe, estabeleceu um limite para a interferência de potências europeias no hemisfério ocidental. Sob o lema “América para os americanos”, os EUA buscavam evitar o retorno da influência europeia na região, comprometendo-se a não interferir em colônias europeias remanescentes.
Origens e Aplicações da Doutrina Monroe
A Doutrina Monroe, concebida em 1823, foi uma declaração de política externa dos Estados Unidos com o objetivo principal de impedir a colonização europeia e a interferência de potências estrangeiras nas Américas. A ideia central era que o continente americano deveria ser livre da influência de nações europeias, estabelecendo uma esfera de atuação exclusiva para os Estados Unidos.
Em sua essência, a doutrina proclamava “América para os americanos”, o que significava que os EUA se oporiam a qualquer tentativa de novas colonizações ou intervenções por parte de países europeus. Em contrapartida, os Estados Unidos se comprometiam a não se intrometer nos assuntos de colônias europeias já existentes no continente.
A Doutrina Monroe na Contemporaneidade e a “Doutrina Donroe”
Recentemente, a Doutrina Monroe tem sido evocada em novas estratégias de segurança nacional dos EUA. Em dezembro do ano passado, o governo Trump apresentou uma nova abordagem com a intenção de retomar a influência na região, visando conter o avanço de potências de outros continentes, como a China. Essa nova investida foi apelidada pela imprensa de “Doutrina Donroe”, uma junção dos nomes Donald e Monroe.
A estratégia atual se baseia em três pilares principais: aumentar a presença naval para controle de rotas marítimas e combate ao tráfico, reforçar a proteção de fronteiras e intensificar a luta contra cartéis de drogas, e estabelecer ou ampliar o acesso dos EUA a locais estratégicos na região. O objetivo é “restaurar a predominância americana” no Hemisfério Ocidental.
Exemplos Históricos Citados pelo Departamento de Estado
O vídeo divulgado pelo Departamento de Estado cita diversos momentos históricos para ilustrar a aplicação da Doutrina Monroe. Um dos exemplos é o apoio dos EUA à independência do Panamá da Colômbia em 1903, que resultou no acordo para a construção e controle do Canal do Panamá. Outro caso mencionado é a Crise dos Mísseis de Cuba em 1962, quando o presidente John F. Kennedy invocou a doutrina após a descoberta de mísseis soviéticos na ilha.
No entanto, a narrativa apresentada pelo Departamento de Estado omite intervenções americanas que contribuíram para a instalação de regimes ditatoriais na América Latina ao longo do século 20, um ponto crítico na interpretação e aplicação histórica da Doutrina Monroe.
Captura de Maduro como Símbolo da Aplicação Atual
A publicação mais recente do Departamento de Estado destaca a captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, como o exemplo mais proeminente da aplicação contemporânea da Doutrina Monroe. Segundo o vídeo, essa ação enviou um “forte sinal a todo o hemisfério”, demonstrando a determinação dos EUA em agir contra figuras consideradas problemáticas na região.
Maduro foi levado para território americano para responder a acusações de narcoterrorismo e está detido em uma penitenciária em Nova York. A menção a este evento sublinha a continuidade da doutrina como uma “pedra angular” da estratégia dos EUA no hemisfério, reafirmando sua influência e capacidade de intervenção.
