UEFA, Concacaf e AFC articulam oposição a Gianni Infantino e avaliam criação de estrutura alternativa para o futebol mundial.
A oposição à gestão de Gianni Infantino na FIFA ganhou força com uma aliança inédita entre as confederações da Europa (UEFA), América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e Ásia (AFC). As entidades iniciaram um projeto conjunto para elaborar um modelo de governança alternativo para o futebol mundial, conforme revelado pelo jornal britânico The Guardian.
A iniciativa surge após a frustração das três confederações em obter uma análise independente sobre a administração da FIFA. A insatisfação se intensificou com o projeto Fifa Forward Enterprise (FFE), que previa a venda de 21% da Copa do Mundo para investidores privados, plano que foi posteriormente abandonado.
Este movimento transcende a figura de Infantino, buscando redefinir o papel, a estrutura, as regras de governança e a distribuição de recursos da FIFA para suas 211 federações filiadas. As discussões podem levar à apresentação de uma proposta de reforma interna ou, em caso de rejeição, servir como plataforma para um candidato de oposição na eleição de 2027, ou até mesmo à criação de uma organização rival.
Racha na FIFA: Confederações europeia, asiática e norte-americana buscam mudanças drásticas
A elaboração de um documento com propostas de reforma é o foco principal do grupo. Caso Gianni Infantino não acate as sugestões, o projeto pode se tornar a base para a candidatura de um rival nas eleições presidenciais de 2027. Um cenário de ruptura ainda mais drástico pode levar à criação de uma organização concorrente à própria FIFA.
UEFA, Concacaf e AFC já iniciaram conversas sobre a possibilidade de organizar competições próprias, caso o impasse com a atual diretoria da FIFA persista. As entidades divulgaram um comunicado conjunto reforçando a pressão por mudanças na liderança.
O fracasso do projeto FFE é um dos pontos centrais da crise. Os dirigentes das três confederações acusam Infantino de tomar decisões sem consulta adequada e defendem a realização de uma investigação independente sobre o episódio por uma entidade externa ao futebol.
UEFA ameaça boicotar competições da FIFA e Copa do Mundo Feminina Sub-20 pode ser afetada
A disputa pode se estender aos torneios organizados pela FIFA. A UEFA considera a possibilidade de retirar suas seleções de competições da entidade caso não haja garantias de mudanças na governança e de que iniciativas como o FFE não se repitam.
O primeiro impacto pode ocorrer na Copa do Mundo Feminina Sub-20, prevista para setembro. Segundo o The Guardian, a competição corre o risco de ser disputada sem a participação das seleções europeias, demonstrando a força da pressão exercida pela UEFA.
A UEFA condiciona qualquer mudança de posição à abertura de uma investigação independente sobre a tentativa de comercialização de parte da Copa do Mundo e à apresentação de garantias juridicamente vinculantes de que o episódio não se repetirá. A entidade busca transparência e maior participação nas decisões importantes.
Reuniões em Salzburgo intensificam pressão sobre Infantino; Victor Montagliani surge como possível rival
Dirigentes do futebol europeu se reuniram em Salzburgo, na Áustria, durante a Supercopa da UEFA. Este encontro presencial foi crucial para alinhar posições entre as principais lideranças do continente diante da crise com a FIFA.
Um dos encontros importantes foi entre Aleksander Ceferin, presidente da UEFA, e Nasser Al-Khelaifi, presidente do Paris Saint-Germain e da European Football Clubs (EFC), visando fortalecer a frente unida de clubes e federações europeias contra a gestão de Infantino.
A movimentação ocorre às vésperas do prazo para a definição de candidaturas à presidência da FIFA, que se encerra em 18 de novembro, com a eleição marcada para março de 2027. Victor Montagliani, presidente da Concacaf, é apontado como um possível candidato de oposição, embora sua prioridade declarada seja a reeleição em sua confederação regional.
Apesar da força da aliança UEFA, Concacaf e AFC, a oposição ainda não é unânime. A Conmebol (América do Sul) e a CAF (África) manifestaram apoio a Infantino, evidenciando a divisão no cenário do futebol mundial e a importância das próximas semanas para definir o futuro da FIFA e sua estrutura de poder.
Javier Tebas, presidente de La Liga, criticou Gianni Infantino, acusando-o de “ajudar a destruir a essência” do futebol e afirmou que a polêmica do FFE é “apenas a ponta do iceberg daquilo que acontece” na FIFA, reforçando a gravidade das questões em jogo.
