Mulheres Imigrantes Relatam Assédio e Ameaças em Ceuta, Espanha, Após Chegada em Massa

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Mulheres Imigrantes em Ceuta Enfrentam Assédio e Ameaças em Acampamentos Improvisados

Mulheres que chegaram ao enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, em meio a uma recente onda migratória, relatam viver sob constante ameaça e assédio sexual. Elas denunciam que, ao dormirem ao ar livre enquanto aguardam atendimento das autoridades, se tornam alvos de homens que circulam pela área.

Mais de uma dúzia de mulheres optou por montar acampamentos improvisados em uma área arborizada próxima a um centro de acolhimento administrado pelo governo espanhol. O local, situado perto da praia urbana de El Trampolin, abriga centenas de imigrantes de diversas nacionalidades, muitos deles dormindo em condições precárias.

A situação de vulnerabilidade tem sido descrita pelas próprias migrantes, que buscam refúgio e segurança em meio à incerteza. Conforme informações divulgadas pela agência Reuters, três mulheres que foram entrevistadas no local detalharam as dificuldades enfrentadas diariamente.

Relatos de Insegurança e Abuso em Acampamentos

Wafae Atid, de 28 anos, natural de Taza, no Marrocos, contou à Reuters que as mulheres improvisaram abrigos com caixas de papelão, colchões infláveis e cobertores. Elas tentam se manter próximas a uma viatura policial estacionada na entrada do centro de acolhimento, buscando um mínimo de segurança.

“A situação é muito ruim. Muitos homens tentam atacar as meninas todas as noites, às vezes até quando você vai ao banheiro. Eles seguem você”, relatou Atid, afirmando que os agressores são de diferentes nacionalidades, incluindo africanos e árabes.

O Sindicato Unificado de Polícia (SUP), o maior sindicato policial da Espanha, informou que registrou 15 agressões sexuais de diferentes gravidades em Ceuta desde 30 de julho. A maioria das vítimas seria menor de idade, e os incidentes teriam ocorrido principalmente na praia e em áreas arborizadas ocupadas pelos imigrantes.

Autoridades Confirmam Processos por Agressão Sexual

As autoridades judiciais de Ceuta confirmaram a abertura de três processos por agressão sexual contra mulheres imigrantes. Os suspeitos seriam imigrantes marroquinos que chegaram à cidade durante a recente entrada em massa. Dois dos casos envolvem menores, um deles com relato de violência sexual com penetração e obrigação de venda de drogas.

No terceiro caso, uma mulher adulta denunciou toques de natureza sexual, e a justiça determinou a deportação do suspeito. Outro homem também teve a deportação determinada após invadir uma residência e abordar uma moradora local.

Entre 5.000 e 8.000 imigrantes permanecem em Ceuta mais de duas semanas após a onda migratória que viu cerca de 72 mil pessoas cruzarem a fronteira. A maioria era composta por homens jovens, mas mulheres e crianças também estão entre os que permaneceram, com 2.168 crianças registradas até a última terça-feira (17).

Busca por Segurança e Apoio às Vítimas

O SUP solicitou mais policiais na unidade responsável por mulheres e famílias, além do aumento das patrulhas nos acampamentos improvisados. As mulheres que denunciaram os casos receberam atendimento policial, judicial e médico, sendo transferidas para um novo centro destinado a vítimas de violência sexual.

O Ministério do Interior da Espanha e a polícia não confirmaram o número exato de casos nem forneceram detalhes adicionais. A ministra da Saúde, Mônica García, informou que os serviços médicos atenderam cinco mulheres vítimas de violência sexual, ressaltando que a prioridade urgente é garantir abrigo aos imigrantes.

Dados do Ministério do Interior espanhol referentes a 2024 indicam que 42 casos de agressão sexual e cinco estupros foram registrados em Ceuta, um território com cerca de 84 mil habitantes. Os ministérios da Espanha não responderam às perguntas da Reuters sobre os relatos de violência sexual e ameaças.

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