Governador de Sinaloa, Rocha Moya, Retorna ao Cargo Após Acusações de Narcotráfico nos EUA

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Governador de Sinaloa Retorna ao Cargo Após Quase Quatro Meses de Afastamento por Suspeitas de Narcotráfico

O governador do estado mexicano de Sinaloa, **Rubén Rocha Moya**, retomou suas funções nesta sexta-feira (21), encerrando um período de quase quatro meses de licença. Durante esse tempo, ele esteve sob investigação pelas autoridades mexicanas devido a suspeitas de envolvimento com o narcotráfico.

A saída temporária de Rocha Moya do cargo ocorreu em 1º de maio, após a Justiça dos Estados Unidos solicitar sua prisão e extradição. As autoridades americanas o acusam de supostos vínculos com o cartel liderado por Joaquín “El Chapo” Guzmán, um dos maiores nomes do narcotráfico mundial.

A investigação aponta que Rocha Moya teria recebido apoio dos filhos de “El Chapo”, conhecidos como “Los Chapitos”, para ascender ao governo de Sinaloa. Este caso marca a primeira vez que um político mexicano em exercício é alvo de um pedido de extradição pela Justiça americana, gerando grande repercussão.

Retorno com Declarações Firmes

Em sua conta na rede social X, o governador de 77 anos declarou: “Retomo minhas funções como governador de Sinaloa de cabeça erguida, com a consciência limpa e com a força da verdade ao nosso lado”. Ele ressaltou que é seu dever cumprir o mandato dos cidadãos de Sinaloa.

Rocha Moya pertence ao Morena, o mesmo partido da atual presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, e do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador. Sua volta ao cargo pegou muitos de surpresa, especialmente porque a presidente Sheinbaum vinha sendo questionada sobre o assunto em suas coletivas de imprensa sem antecipar a decisão.

Investigação no México Conclui Sem Provas

Após 112 dias de investigação, o Ministério Público mexicano não encontrou provas que sustentassem as acusações contra o governador. Rocha Moya afirmou que “não existem elementos mínimos de prova que sustentem nossa participação em qualquer conduta criminosa, ou seja, não cometi nenhum crime”.

O governador nasceu em Badiraguato, o mesmo município de Sinaloa onde “El Chapo” Guzmán também nasceu. Ele construiu uma carreira política em partidos de esquerda, conciliando-a com sua atuação como professor.

Acusações e Citações em Depoimentos

Além da acusação americana, Rubén Rocha Moya foi citado em depoimento por Ismael “Mayo” Zambada, um dos principais parceiros de “El Chapo” no cartel. Zambada relatou ter sido sequestrado e levado aos Estados Unidos após ser atraído para uma suposta reunião para resolver disputas entre políticos de Sinaloa, encontro este que teria contado com a participação de Rocha.

O governador nega veementemente essas acusações, classificando-as como “falsas acusações” feitas por um órgão do governo dos Estados Unidos com motivações políticas. Ele sustenta que a investigação americana carece de fundamento.

Pressão sobre o Governo Sheinbaum

O caso de Rubén Rocha Moya é considerado um dos momentos mais delicados para o governo de Claudia Sheinbaum. Analistas apontam que a proximidade de Rocha com o ex-presidente López Obrador, com quem tem décadas de amizade e com quem fez campanha, pode complicar a situação da presidente.

A presidente Sheinbaum tem reiterado que seu governo não protegerá políticos envolvidos com o crime organizado. Contudo, ela também exige **provas contundentes** dos Estados Unidos antes de tomar medidas definitivas contra o governador. A relação entre México e EUA já é tensa, marcada por cobranças americanas contra o narcotráfico e negociações comerciais.

A situação coloca Sheinbaum em uma posição delicada, tendo que equilibrar a pressão americana com a política interna e a defesa de aliados. A analista David Mora, da consultoria Crisis Group, avalia que os custos políticos e diplomáticos para ambos os lados são altíssimos, especialmente diante da possibilidade de uma maior interferência americana nos assuntos mexicanos.

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