Livrarias Independentes de Hong Kong Sob Ataque: Um Sinal de Alerta para a Liberdade de Expressão
Livrarias independentes em Hong Kong, outrora refúgios de pensamento livre e fontes de informação proibida para muitos na China continental, enfrentam um fechamento em massa. A crescente influência de Pequim sobre a cidade tem levado a batidas policiais e prisões, levantando preocupações sobre o futuro da liberdade de expressão.
Esses estabelecimentos, que ofereciam desde relatos de ativistas pró-democracia até alegorias sobre autoritarismo, tornaram-se alvos após a imposição da Lei de Segurança Nacional. A situação reflete um temor crescente de que o espírito de liberdade de Hong Kong esteja sendo sistematicamente erodido.
Ainda assim, a resiliência de leitores e livreiros persiste, transformando a compra de um livro em um ato silencioso de resistência. Conforme reportado em diversas fontes, o fechamento dessas livrarias representa um golpe significativo para a diversidade cultural e o intercâmbio intelectual.
O Refúgio Intelectual que Desaparece
Para muitos jovens da China continental, como Chen Zhu, de 23 anos, visitar livrarias independentes em Hong Kong era uma jornada a um mundo de maior liberdade. Ela frequentava a Livraria Hunter, conhecida por seu acervo de livros considerados sensíveis pelas autoridades chinesas, buscando respostas para questões proibidas em seu país de origem.
A Hunter, fundada há quatro anos, oferecia títulos que desafiavam o status quo, incluindo obras sobre o autoritarismo e o movimento pró-democracia de Hong Kong. A notícia de uma batida policial na livraria em junho de 2023, que resultou na prisão de sua proprietária e um funcionário por sedição e lavagem de dinheiro, deixou Zhu devastada.
A situação se repetiu com outras livrarias. Em março, a Book Punch teve seu dono e três funcionários presos pelas mesmas acusações, com apreensão de biografias de ativistas. Em julho, a Greenfield Bookstore e a Have a Nice Stay também foram alvos de buscas policiais, resultando na prisão de cinco pessoas por sedição.
A Lei de Segurança Nacional e o Impacto na Liberdade de Expressão
A Lei de Segurança Nacional, implementada por Pequim sob o pretexto de restaurar a estabilidade, tem sido amplamente criticada por grupos de direitos humanos e moradores de Hong Kong como uma ferramenta de repressão à liberdade de expressão. Desde sua imposição, milhares de pessoas, incluindo ativistas e ex-parlamentares, deixaram a cidade.
O fechamento da Greenfield Bookstore, após 50 anos de operação, foi um golpe adicional. A livraria anunciou seu encerramento após o fim do contrato de aluguel, sendo a terceira livraria independente a fechar em um curto período. Essas perdas representam a erosão de espaços vitais para o debate e a livre circulação de ideias.
Leitores da China continental, como Li, de 19 anos, de Xangai, expressam seu desapontamento, vendo essas livrarias como lugares onde “consegue enxergar tantas possibilidades e onde as ideias existentes podem ser desafiadas”. A perda desses espaços em Hong Kong é sentida como um cerceamento da liberdade que antes era acessível.
Comunidade, Resistência e o Futuro Incerto das Livrarias Independentes
As livrarias independentes de Hong Kong não eram apenas locais de venda de livros, mas também centros de comunidade e expressão. Zhu descreve a sensação de pertencimento que sentia, mesmo sem interagir diretamente com outros clientes, graças a eventos e à atmosfera compartilhada de valorização da liberdade de expressão.
Li destaca a importância desses espaços para a construção de um senso de comunidade, algo que ela considera difícil de encontrar na China continental. Ela relata ter visto na Livraria Hunter um mural de post-its com mensagens de apoio às vítimas de um trágico incêndio, demonstrando solidariedade em um contexto onde manifestações públicas de sentimento são desencorajadas.
Apesar do clima de apreensão e do aumento da vigilância, muitos leitores, como Chris, de 20 anos, veem a compra de livros como um ato de resistência. “Comprar um livro tornou-se uma forma silenciosa de demonstrar apoio e uma forma silenciosa de resistência”, afirma ele, mostrando a determinação em manter viva a chama da liberdade intelectual, mesmo diante de um futuro incerto para as livrarias independentes de Hong Kong.
O fechamento dessas livrarias, impulsionado pelas políticas restritivas da China continental, levanta sérias questões sobre a autonomia e a liberdade de expressão em Hong Kong, um tema de crescente preocupação para a comunidade internacional e para aqueles que valorizam o livre intercâmbio de ideias.
