Michelle Bolsonaro depõe em Rondônia para defender uso do sobrenome “Bolsonaro” por candidato ao Senado

RONDONIA

Michelle Bolsonaro depõe em Rondônia para defender uso do sobrenome “Bolsonaro” por candidato ao Senado

O nome “Bolsonaro” volta a ser centro de uma disputa na Justiça Eleitoral de Rondônia, desta vez com a participação da ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Ela atuará como testemunha de defesa de Bruno Bolsonaro Scheid, candidato do PL ao Senado, em um processo que decidirá se o político poderá manter a identificação pela qual afirma ser conhecido publicamente em sua urna eletrônica.

A presença de Michelle Bolsonaro no caso adiciona um elemento de forte simbolismo. Ela não apenas apoia a candidatura de Bruno, mas tem se envolvido ativamente em sua mobilização eleitoral, apresentando-o como “o escolhido de Jair” para o Senado em Rondônia e manifestando apoio nas redes sociais. Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, também declarou apoio ao candidato.

Agora, Michelle comparecerá à Justiça em uma ação que discute a permissão para que Bruno utilize “Bolsonaro” em seu nome eleitoral. Segundo a defesa, esta é a terceira vez em 2026 que a Procuradoria Eleitoral tenta sustentar a retirada do apelido, em diferentes momentos processuais. A questão já foi levada à Justiça Eleitoral por terceiros durante a pré-campanha.

Em maio, a retirada do nome “Bolsonaro” das redes e materiais políticos de Bruno chegou a ser determinada cautelarmente. No entanto, a própria Justiça Eleitoral reconsiderou a medida, revogando a restrição e a multa aplicada.

A defesa argumenta sobre a origem do uso do nome

A defesa de Bruno Scheid baseia seus argumentos em uma questão cronológica: o nome “Bolsonaro” surgiu em 2026 ou já era de conhecimento público antes da eleição? Para comprovar sua tese, a defesa apresentou uma pesquisa do Paraná Pesquisas, realizada em abril de 2025, mais de um ano antes da atual campanha eleitoral. Nesta pesquisa, o então possível candidato ao Senado já aparecia identificado como “Bruno Bolsonaro Scheid”.

A defesa afirma que Bruno não contratou o levantamento nem determinou ao instituto como seu nome deveria ser apresentado, reforçando a ideia de que o uso do sobrenome já era público e consolidado antes do período eleitoral. Além disso, foram apresentados registros jornalísticos anteriores à campanha, declarações e documentos que visam demonstrar que a identificação não foi criada às vésperas da eleição.

“Bolsonaro” como cognome político, não parentesco

É importante ressaltar que a defesa de Bruno Scheid não sustenta que ele seja parente de Jair Bolsonaro. O fundamento utilizado é que “Bolsonaro” se consolidou como um apelido ou cognome político de Bruno antes da disputa eleitoral de 2026. Essa situação deverá ser examinada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO) à luz das regras aplicáveis aos nomes pelos quais os candidatos são publicamente conhecidos.

Simbolismo e singularidade do caso eleitoral

A presença de Michelle Bolsonaro como testemunha de defesa adiciona um fato politicamente singular e possivelmente inédito no Brasil. A pessoa mais próxima de Jair Bolsonaro comparecerá à Justiça para depor em um processo que questiona o uso do nome “Bolsonaro” por um candidato que recebe apoio público da família. A participação dela, embora não resolva a discussão jurídica por si só, confere um peso simbólico expressivo ao caso.

A Justiça Eleitoral analisa novamente a questão

Após sucessivos capítulos ao longo de 2026, a Justiça Eleitoral se debruçará mais uma vez sobre a mesma pergunta: Bruno Scheid pode continuar sendo “Bruno Bolsonaro Scheid” na urna? O sobrenome que se pretende discutir judicialmente, ao menos por enquanto, continua no centro da eleição em Rondônia, gerando preocupação entre adversários do pecuarista de Ji-Paraná. A decisão final caberá ao TRE-RO.

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