Síria abre porta para diálogo com Israel, mas impõe condições cruciais
A Síria sinalizou uma possível retomada das negociações de segurança com Israel, mas deixou claro que o diálogo só avançará com o fim dos ataques israelenses em seu território e a promessa de retirada de áreas ocupadas. A declaração surge em um momento de tensões elevadas na região.
O Ministro das Relações Exteriores da Síria, Asaad al-Shaibani, em entrevista à agência Reuters em Damasco, destacou que a diplomacia ainda é uma via possível, apesar da falta de confiança mútua. Ele enfatizou que a prioridade de Damasco é a interrupção dos ataques israelenses.
Shaibani ressaltou a necessidade de medidas de construção de confiança para viabilizar qualquer avanço. A declaração foi feita dias após um bombardeio israelense a uma base aérea síria, um ato que a Síria considera uma agressão. Conforme informação divulgada pelo ministro das Relações Exteriores sírio, Asaad al-Shaibani.
Esforços de Washington e Obstáculos
Os Estados Unidos têm mediado esforços para construir um acordo de segurança entre Israel e o governo sírio há mais de um ano. No entanto, as negociações enfrentam dificuldades significativas, especialmente devido às incursões e ataques israelenses em solo sírio, justificados por Tel Aviv como medidas de proteção contra ameaças.
As conversas sobre o acordo de segurança foram interrompidas desde o início do conflito entre Irã e Israel. Shaibani expressou a esperança de que as negociações sejam retomadas em breve, enfatizando a necessidade de contato com um país que ele descreveu como uma ameaça constante à segurança síria.
“Atualmente, não confiamos em Israel”, afirmou Shaibani, indicando o profundo ceticismo que permeia as relações bilaterais. O gabinete do primeiro-ministro israelense não comentou o pedido de declaração.
Prioridade: Fim da Agressão Israelense
O governo sírio, sob a liderança do presidente Ahmed al-Sharaa, alega que o país não representa uma ameaça a outras nações e que seu foco principal é a reconstrução após 14 anos de guerra. Essa postura contrasta com declarações de autoridades israelenses que descreveram os novos governantes sírios de forma negativa.
Desde a queda de Bashar al-Assad em 2024, Israel ocupou parte do território sírio no sudoeste, alegando a necessidade de proteger seus cidadãos. A Síria, por sua vez, considera essas ações como uma tentativa de manter a segurança através da força bruta, algo que, segundo Shaibani, “não conseguiu em lugar nenhum”.
A prioridade máxima para a Síria, segundo Shaibani, é “interromper a agressão israelense mesmo antes de chegar a um acordo de segurança”. Ele acredita que, após o fim dos ataques, “talvez possamos abrir os temas da paz e do Golã”.
Acordo de Segurança Prestes a Ser Fechado, Mas Israel Hesita
Shaibani revelou que, no início do ano, ambos os lados haviam concordado por escrito com a maior parte de um acordo de segurança. Este acordo previa a cessação dos ataques israelenses contra a Síria e a retirada de Israel de territórios tomados após a queda de Assad.
O pacto incluiria a criação de zonas de segurança na fronteira sírio-israelense, com uma zona de amortecimento sob a supervisão das Nações Unidas e outras áreas com presença de forças sírias. Contudo, o ministro acusou Israel de tentar evitar a implementação do acordo, afirmando: “Não vimos que eles tivessem a vontade real de chegar a um acordo.”
As tensões se agravaram recentemente, quando Israel bombardeou a base aérea de Abu al-Duhur, alegando que a Síria permitiria o posicionamento de forças turcas no local, o que foi negado por ambos os países. A Síria busca apoio da Turquia e de outros países para treinamento militar e cooperação.
O Caminho para a Paz e a Questão das Colinas de Golã
A Síria e Israel mantêm um estado de guerra técnica desde 1948, e Israel ocupa as Colinas de Golã desde a guerra de 1967. A retomada das negociações de segurança é vista como um passo crucial, mas a desconfiança mútua e a persistência dos ataques israelenses são grandes barreiras.
Shaibani reiterou que a Síria respeita as preocupações de segurança de Israel, mas exige reciprocidade, incluindo o respeito ao espaço aéreo sírio e o fim dos ataques e prisões. A esperança síria é a de construir relações estáveis com seus vizinhos e alcançar a paz e a estabilidade regional.
O enviado especial dos EUA para a Síria, Tom Barrack, mencionou esforços para estabelecer um mecanismo que impeça conflitos entre Israel, Turquia e Síria. No entanto, Shaibani indicou que ainda não há acordo sobre este mecanismo, que, para a Síria, deve interromper os ataques e abrir caminho para o acordo de segurança, em vez de “consolidar a ocupação israelense”.
