Embaixador Indicado por Trump para o Brasil Promete Neutralidade nas Eleições, mas Admite ‘Impasse’ Comercial com EUA

BRASIL

Daniel Perez, indicado por Donald Trump para ser o próximo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, declarou que não pretende se envolver nas eleições presidenciais brasileiras de outubro. A afirmação foi feita durante uma entrevista a uma emissora local na Flórida, onde Perez abordou as relações bilaterais e o cenário comercial entre os dois países.

O diplomata expressou o desejo de trabalhar com o candidato que for eleito presidente do Brasil, ressaltando a importância de um diálogo construtivo. Perez também mencionou a intenção de buscar um acordo comercial que seja vantajoso para ambas as nações, reconhecendo o atual “impasse” nas relações.

A indicação de Perez para o cargo de embaixador já foi aprovada pelo Senado americano, mas ainda aguarda o aval do governo brasileiro. Essa demora na aceitação tem gerado tensões diplomáticas, incluindo a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em uma medida de retaliação por parte dos Estados Unidos.

Conforme informação divulgada pelo canal WPLG, no domingo (23), Perez afirmou que “neste momento, existe um certo impasse entre Brasil e EUA, e é difícil ficar em um impasse com um país que é um parceiro comercial tão importante para nós, o maior da América do Sul”. Ele reiterou que seu objetivo é encontrar soluções para superar esse impasse.

Ao ser questionado diretamente sobre o processo eleitoral brasileiro, Daniel Perez foi categórico ao dizer que **não irá se envolver nas eleições marcadas para outubro**. Sua prioridade, segundo ele, é a relação bilateral e a busca por interesses comuns.

A nomeação de Perez para embaixador no Brasil ocorreu em um momento de escalada nas tensões entre os governos. O governo brasileiro tem sinalizado a possibilidade de adiar a aprovação do nome até após o período eleitoral. Isso se deu, em parte, porque a indicação foi anunciada antes de uma consulta formal às autoridades brasileiras, o que gerou um mal-estar, conforme noticiado pelo blog da Ana Flor.

Tradicionalmente, a apresentação de um embaixador é feita após o país anfitrião indicar que aceita a indicação. No caso de Perez, o pedido de aval foi encaminhado ao Brasil mais de duas semanas após o anúncio oficial da Casa Branca. Essa conduta destoou do protocolo habitual.

Em resposta à demora na aceitação de Perez, os Estados Unidos revogaram, em 4 de agosto, o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. O Itamaraty, na época, repudiou a decisão americana, classificando-a como uma tentativa “óbvia” de **interferir na próxima eleição para presidente**.

Apesar das divergências e do impasse diplomático, Daniel Perez reafirmou seu compromisso em trabalhar para fortalecer os laços entre Brasil e Estados Unidos, buscando um caminho de cooperação e benefício mútuo, independentemente do resultado eleitoral no Brasil.

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