Avalanche no Nepal: USGS esclarece que não houve terremoto e explica alerta sísmico
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) corrigiu informações divulgadas anteriormente sobre um terremoto na região de fronteira entre o Nepal e o Tibete. Inicialmente, o órgão registrou um tremor de magnitude 4,4, mas horas depois se retratou, afirmando que o evento sísmico não ocorreu. A causa do alerta, segundo o USGS, foi a própria avalanche que devastou a área.
A avalanche repentina causou mais de 150 mortos e centenas de desaparecidos na região montanhosa. A confusão se deu porque as medições sísmicas, que apontavam para um terremoto com epicentro a 10 quilômetros de profundidade, foram, na verdade, geradas pela energia liberada pelo deslizamento de terra. A localização estimada do evento foi feita a partir de imagens de satélite.
Conforme nota oficial divulgada pelo USGS, análises adicionais de ondas sísmicas de longo período indicaram que a energia detectada foi gerada por um deslizamento de terra, e não por um terremoto. A região já vinha sofrendo com intensas chuvas, que congelaram e formaram represas de gelo, contribuindo para a tragédia. A informação foi divulgada pelo próprio USGS.
Entendendo as avalanches no Himalaia e o risco de novas enchentes
Avalanches e deslizamentos são eventos relativamente comuns na vasta cadeia de montanhas do Himalaia, mas suas causas nem sempre são imediatamente claras. Especialistas ouvidos pela rede britânica BBC apontam o derretimento acelerado de geleiras, intensificado pelo aquecimento global, como um fator chave. Esse fenômeno aumenta o volume de água nas bacias de lagos de altitude, que podem colapsar quando a capacidade é excedida.
Risco iminente de uma segunda enchente assusta autoridades
Um novo perigo surge com a possibilidade de uma segunda enchente. Parte do gelo e das rochas que se desprenderam no rio Lhende Khola não desceu completamente. Em vez disso, formaram um novo bloqueio mais acima no curso do rio, antes de atingir as áreas já devastadas. Essa barreira improvisada funciona como uma represa natural, acumulando água.
A água continuará a se acumular atrás desse bloqueio até que a pressão seja forte o suficiente para rompê-lo. Isso liberaria outro volume repentino de água e detritos rio abaixo, um cenário que as autoridades estão monitorando de perto. O risco não se restringe ao Nepal, pois o Lhende Khola alimenta outros rios que cruzam a fronteira com a Índia.
Alertas de cheia emitidos para estados indianos de Bihar e Uttar Pradesh
Devido ao risco de novas enchentes, alertas foram emitidos para os estados indianos de Bihar e Uttar Pradesh. Estas regiões, localizadas a centenas de quilômetros do ponto inicial do desastre, recebem o fluxo de água que desce da cordilheira do Himalaia. A situação exige vigilância contínua e preparo para possíveis novas emergências.
