Mulher Descobre HIV Intencionalmente Transmitido por Dentista em RO e Ele é Condenado a Indenizar Vítima em R$ 50 Mil

RONDONIA

Vítima de Infecção por HIV em Rondônia Denuncia Ex-Namorado e Ele é Condenado a Pagar Indenização de R$ 50 Mil

Uma mulher em Porto Velho, Rondônia, viveu um pesadelo ao descobrir que foi infectada com o vírus HIV de forma intencional por seu então namorado, o dentista Jean José Dunga. A descoberta veio após uma série de sintomas persistentes e exames médicos que confirmaram a infecção. A vítima, identificada como Marta para proteger sua identidade, relatou que soube da condição por terceiros, e não pelo próprio companheiro.

O diagnóstico positivo para HIV veio em maio de 2026, uma semana após o término do relacionamento. Antes disso, Marta enfrentava infecções recorrentes, dores no corpo, fadiga e outros sintomas que não melhoravam com o tratamento médico. A persistência dos problemas de saúde a levou a buscar investigação, culminando na confirmação da infecção pelo HIV.

A revelação do diagnóstico foi ainda mais chocante quando, durante uma consulta com uma infectologista, Marta foi informada de que o Ministério Público de Rondônia (MP-RO) já investigava um dentista por suspeita de infectar mulheres intencionalmente no estado. A conexão com seu ex-namorado se tornou clara ao mencionar o nome dele durante o atendimento médico. Conforme informação divulgada pelo g1, a notícia transformou o choque em indignação, pois ela descobriu não ser a primeira a denunciar o homem.

A Descoberta e a Investigação do MP-RO

Marta relata que o dentista Jean José Dunga, de 41 anos, nunca informou sobre sua condição de portador do HIV durante o relacionamento. Após o término em 30 de abril, eles não tiveram mais contato. A médica infectologista, com cuidado e respeito, informou Marta sobre a investigação do MP-RO. A vítima buscou o Núcleo de Atendimento a Vítimas (Navit) do Ministério Público, onde descobriu ser a quarta mulher a denunciar o dentista.

Jean José Dunga foi preso em junho de 2026 e permanece detido em Porto Velho. Para Marta, a contaminação não afetou apenas a si, mas toda a sua família, gerando um profundo luto. Ela sente que o dentista atingiu todas as pessoas que a amam.

Outros Casos e Denúncias Contra o Dentista

Segundo o MP-RO, a primeira denúncia contra Jean ocorreu em dezembro de 2025, seguida por outra seis dias depois. Em janeiro de 2026, uma terceira vítima foi encaminhada ao Navit. Os casos das três primeiras mulheres resultaram em um processo único, onde Jean foi denunciado por lesão corporal gravíssima e perigo de contágio de doença grave. Em relação a duas delas, ele também foi acusado de estupro.

A investigação do MP-RO sobre Jean já estava em andamento há cerca de quatro meses quando Marta recebeu o diagnóstico. No caso específico de Marta, Jean foi condenado a cinco anos de prisão em regime semiaberto e ao pagamento de R$ 50 mil em indenização. A defesa de Jean, antes da condenação, afirmou que ele realizava tratamento antirretroviral e acreditava não haver risco de transmissão sexual do HIV.

Busca por Justiça e Apoio às Vítimas

Ao denunciar o caso, Marta buscou o Navit visando acolhimento e apoio, além de temer que outras mulheres pudessem ser vítimas do mesmo homem. O MP-RO acredita que podem existir outras vítimas ainda não identificadas. Mulheres em Rondônia que desconfiem ter sido expostas ao vírus podem contatar o Navit pelo WhatsApp (69) 99906-6411 ou por ligação no (69) 98408-9931.

Qualquer pessoa que suspeite ter sido exposta ao HIV pode procurar as Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou as UPAs para realizar o teste rápido de forma gratuita e sigilosa. O município de Porto Velho também conta com o atendimento do Serviço de Atendimento Especializado (SAE).

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