Irmã de jovem atropelado em RO desabafa: “Uma pessoa está voltando para casa, enquanto meu irmão não está”

RONDONIA

Justiça concede liberdade a motorista que atropelou e matou jovem em Rondônia, revolta a família

A família de João Pedro de Oliveira, de 21 anos, que morreu após ser atropelado por um carro em alta velocidade, expressa profunda indignação com a soltura da condutora, Stefanny Thalia Ferreira Liberato. A jovem havia sido presa em flagrante após o crime, mas foi liberada na última sexta-feira (11), completando uma semana de sua prisão, o que gerou um sentimento de “segunda perda” para os familiares.

Catarina Oliveira, irmã de João Pedro, ressalta a dificuldade em compreender a decisão judicial. “No exato dia em que completava uma semana desde que ela bebeu, atropelou uma pessoa e omitiu socorro, ela recebeu uma espécie de premiação: a liberdade”, desabafou Catarina, resumindo a sensação de impunidade.

A Justiça argumentou que Stefanny preenche os requisitos legais para o benefício, como ausência de antecedentes criminais, endereço e trabalho fixos, além de frequentar o ensino superior. Contudo, para a família de João Pedro, esses fatores não anulam a gravidade do ato e a falta de empatia demonstrada pela motorista. A família agora clama por justiça, entendendo que nenhuma reparação será suficiente para compensar a perda, mas que a responsabilização é um passo fundamental.

Momento do atropelamento chocou testemunhas e família

O trágico evento foi registrado por uma câmera de segurança, que capturou o momento exato em que o carro de Stefanny avança a via preferencial em alta velocidade, colidindo violentamente com a motocicleta de João Pedro. Após o impacto, o jovem foi arremessado contra a parede de uma residência. Ele chegou a ser socorrido e levado ao Hospital e Pronto-Socorro João Paulo II, mas não resistiu aos ferimentos graves e faleceu pouco tempo depois.

A condutora fugiu do local sem prestar qualquer tipo de socorro à vítima, o que agrava ainda mais a situação aos olhos da família. “Nós não conseguimos compreender onde existe humanidade em alguém que, depois de atropelar uma pessoa, não para para ajudar, não presta socorro e vai para casa como se nada tivesse acontecido”, questiona Catarina, visivelmente abalada.

João Pedro: um jovem sonhador e pilar familiar

João Pedro era descrito pela irmã como um jovem sonhador e cheio de vida. Após a perda do pai, ele assumiu um papel fundamental na família, tornando-se um suporte essencial para a mãe, especialmente no enfrentamento do luto. “O João se tornou a pessoa que ficava ao lado da nossa mãe. Era ele quem a ajudava com tudo o que precisávamos. Ele tomou para si uma responsabilidade gigantesca, mesmo tendo tão pouca idade”, relata Catarina com emoção.

A família, apesar de reconhecer que a justiça não trará João Pedro de volta, busca o reconhecimento do crime e a devida punição. “Uma pessoa está voltando para casa, enquanto o meu irmão não está. Uma pessoa pode continuar a sua vida, enquanto a vida do João foi interrompida aos 21 anos. Nós não queremos vingança. Nós só queremos justiça”, conclui Catarina, com a esperança de que o caso sirva de precedente e traga algum alívio à dor que sentem.

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