EUA Impõem Restrições de Visto a Sul-Africanos Acusados de Racismo Contra Brancos Afrikaners
O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou uma nova política que restringirá a emissão de vistos para cidadãos estrangeiros acusados de praticar discriminação racial contra afrikaners, um grupo de brancos sul-africanos descendentes de europeus. A decisão reflete uma preocupação profunda do governo americano com a situação de direitos humanos no país africano.
A medida, divulgada nesta terça-feira, visa indivíduos envolvidos na elaboração ou implementação de leis e políticas discriminatórias, especialmente aquelas relacionadas à desapropriação de terras sem indenização. A ação surge em meio a tensões históricas e debates sobre a distribuição de terras na África do Sul, onde a população negra, majoritária, enfrenta desafios socioeconômicos históricos.
O Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, expressou a preocupação de seu país com os “crimes motivados por questões raciais” na África do Sul. Segundo ele, o governo sul-africano estaria promovendo discriminação contra minorias, incluindo a comunidade afrikaner, por meio de legislação, ameaças de desapropriação de terras e incitação à violência racial. Conforme informação divulgada pelo Departamento de Estado dos EUA, o governo americano não permitirá que tal comportamento continue sem resposta, pois prejudica a paz, a estabilidade econômica e o Estado de Direito.
Contexto Histórico e a Questão das Terras
As alegações dos Estados Unidos remetem a preocupações levantadas anteriormente pelo ex-presidente Donald Trump, que acusou a África do Sul de perseguir membros da comunidade afrikaner. Os afrikaners, que hoje representam cerca de 4% da população sul-africana, foram historicamente um dos grupos dominantes durante o regime do apartheid, que institucionalizou a segregação racial até o início dos anos 1990.
A raiz da disputa reside em uma lei sul-africana destinada a corrigir o desequilíbrio na distribuição de terras. Dados apontam que os brancos detêm três quartos das terras agrícolas de propriedade plena na África do Sul, enquanto os negros, que compõem mais de 80% da população, dominam apenas 4% dessas áreas. Essa disparidade tem sido um ponto central de debates sobre justiça social e reparação histórica.
Reações e Teorias Conspiratórias
A discussão sobre a situação dos afrikaners ganhou projeção com declarações de figuras como o bilionário Elon Musk, sul-africano de nascimento e aliado de Trump, que descreveu as leis de propriedade sul-africanas como “racistas”. Paralelamente, ganharam força teorias conspiratórias sobre um suposto “genocídio branco” na África do Sul, alegações que o governo sul-africano nega veementemente.
Informações falsas sobre o tema têm circulado em grupos de direita há anos, inclusive durante o primeiro mandato de Trump. Um juiz sul-africano, em decisão proferida no ano passado, também afirmou que não há evidências de genocídio contra brancos no país, contrariando as narrativas alarmistas que circulam.
Detalhes da Nova Política de Vistos
A nova política de restrição de vistos dos Estados Unidos abrangerá cidadãos estrangeiros considerados responsáveis ou cúmplices na elaboração ou implementação de leis que permitam desapropriações de terras sem indenização. Além disso, serão afetados aqueles responsáveis por discriminação baseada em raça ou por incitação à violência iminente contra grupos étnicos ou raciais minoritários na África do Sul.
O Departamento de Estado americano enfatizou que essas ações são incompatíveis com os pilares da política externa americana e que os Estados Unidos não tolerarão tais comportamentos. A medida visa, segundo os EUA, proteger a paz, a estabilidade econômica e o Estado de Direito, fundamentais para as relações internacionais e para a garantia dos direitos humanos.
