Michelle Bachelet não concorrerá mais à Secretaria-Geral da ONU, encerrando sonho de liderança histórica
A ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, anunciou neste sábado (19) sua decisão de retirar a candidatura à Secretaria-Geral das Nações Unidas. A notícia chega semanas após a divulgação de uma pesquisa que a colocava em posições inferiores entre os concorrentes.
Em um vídeo divulgado em suas redes sociais, Bachelet expressou que, apesar de não ter alcançado o objetivo, não se arrepende de ter assumido o desafio. Ela destacou a importância de sua participação para colocar em debate a necessidade de uma mulher latino-americana no comando da organização.
A candidatura de Bachelet, que contava com o apoio inicial de países como Brasil e México, enfrentou dificuldades após o governo chileno, sob o comando do presidente ultradireitista José Antonio Kast, retirar seu suporte. Conforme informado pelo governo chileno em nota, o apoio à candidatura foi retirado em março, e desde então nenhum outro candidato recebeu endosso oficial.
Fim de uma jornada política e diplomática
Michelle Bachelet, que já foi presidente do Chile por dois mandatos, era uma das cinco mulheres na disputa para suceder o português António Guterres. Sua nomeação havia sido indicada em fevereiro pelo então governo chileno, com o respaldo de figuras políticas importantes como o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente mexicana Claudia Sheinbaum, que foram agradecidos por Bachelet por seu apoio inicial.
A disputa pela liderança da ONU, que nunca teve uma mulher em sua chefia em 80 anos de história, também viu a ascensão da ex-chanceler da Guiana, Carolyn Rodrigues-Birkett, que liderou uma votação no Conselho de Segurança em agosto. A prática não oficial de alternância regional para o posto indicava a vez da América Latina.
O papel do Chile na candidatura
A posição do governo chileno foi crucial. A retirada do apoio pelo presidente José Antonio Kast enfraqueceu significativamente a candidatura de Bachelet. O governo chileno, em sua nota, reafirmou seu compromisso com o multilateralismo e a reforma das Nações Unidas, independentemente da candidatura específica.
A decisão de Bachelet encerra uma campanha que buscou trazer uma nova perspectiva para a liderança da ONU, ressaltando a importância da representatividade feminina e regional. Apesar da desistência, a ex-presidente chilena reforçou que sua candidatura contribuiu para o debate sobre o futuro da organização.
O cenário para a sucessão de Guterres
Com a saída de Michelle Bachelet, a corrida pela Secretaria-Geral da ONU segue com outros candidatos. O mandato de António Guterres, de 77 anos, termina em 31 de dezembro deste ano, abrindo caminho para a escolha de um novo líder para a organização internacional. Até o momento, cinco mulheres e três homens disputam a posição.
