Javier Milei, presidente da Argentina, faz críticas contundentes à ONU em discurso na Assembleia Geral, chamando a entidade de “inútil” e acusando-a de alimentar uma “casta de parasitas”. A disputa pelas Ilhas Malvinas foi usada como exemplo de inação.
O mandatário argentino, Javier Milei, durante o segundo dia de debates da Assembleia Geral da ONU, proferiu um discurso inflamado contra a organização, questionando sua eficácia e propósito.
Milei não poupou críticas, dirigindo-se diretamente aos representantes das nações-membro e apontando falhas graves na atuação da ONU. Suas palavras ecoaram um forte descontentamento com a postura da organização em diversos cenários globais.
O presidente argentino também aproveitou a tribuna para reforçar seu posicionamento geopolítico, declarando um alinhamento claro com o Ocidente, com destaque para Estados Unidos e Israel, conforme apuração da fonte. A declaração de Milei marca um ponto de virada na diplomacia argentina.
ONU chamada de “inútil” e “casta de parasitas” por Milei
Em um trecho contundente de seu discurso, Javier Milei declarou que a Organização das Nações Unidas se transformou em uma “organização inútil que só serve para alimentar uma casta de parasitas arrogantes, disfarçados de burocratas bem-intencionados”.
Ele acusou a ONU de falhar em seu papel de garantir a segurança coletiva e os direitos humanos, permitindo, em vez disso, “o caos, a violência e o terrorismo internacional”. Milei exemplificou sua crítica com a resposta da organização aos ataques na Faixa de Gaza.
Adicionalmente, o presidente argentino criticou as recomendações de quarentena impostas durante a pandemia de Covid-19, classificando-as como um “experimento global de controle social disfarçado de ciência”, uma posição que já o levou a retirar a Argentina da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Disputa pelas Malvinas como símbolo da “inação” da ONU
Milei utilizou a longa disputa territorial entre Argentina e Reino Unido pelas Ilhas Malvinas como um exemplo claro da inação da ONU. Ele ressaltou que, apesar de a organização já ter aprovado resoluções sobre o tema, a contraparte britânica tem agido em sentido contrário por décadas.
“As Malvinas não são apenas uma questão entre a Argentina e o Reino Unido, mas também coloca a questão sobre a capacidade desta organização de fazer valer suas próprias resoluções”, discursou o argentino. Ele questionou a utilidade de resoluções que não são cumpridas.
A delegação do Reino Unido presente na Assembleia Geral não esboçou reação visível às falas de Milei, um comportamento incomum, já que é praxe que comitivas de países com posições divergentes se retirem do plenário em sinal de protesto diplomático.
Argentina “vai tomar providências” sobre as Malvinas
Diante do que classificou como “inação” da ONU, Javier Milei afirmou que o governo argentino “vai tomar providências” para resolver a questão das Ilhas Malvinas.
“Hoje venho dizer a vocês que a Argentina não vai se sentar e esperar que a ONU e a comunidade internacional estejam à altura de seu próprio mandato. Vamos tomar providências nesse assunto”, declarou o presidente.
O presidente argentino, que optou por ler um discurso impresso em vez de utilizar o teleprompter, também enfatizou seu alinhamento “sem ambiguidades com o Ocidente”, citando explicitamente os Estados Unidos e Israel como parceiros estratégicos e compartilhadores de valores.
“Fizemos também uma escolha geopolítica. Nos alinhamos sem ambiguidades ao Ocidente. Nos alinhamos com os Estados Unidos e com Israel, países com os quais compartilhamos uma profunda afinidade de valores e uma complementaridade estratégica”, concluiu Milei.
