Congresso Americano Manifesta Preocupação com Interferência nas Eleições Brasileiras
Um grupo de 31 congressistas dos Estados Unidos enviou uma carta ao Secretário de Estado americano, Marco Rubio, demonstrando forte preocupação com supostas tentativas de interferência do governo Trump nas eleições brasileiras, marcadas para outubro. A missiva, assinada por parlamentares democratas, exige que os EUA se comprometam formalmente a reconhecer e aceitar o resultado do pleito.
O documento, entregue nesta quinta-feira (29), acusa a administração Trump de ter adotado uma série de medidas econômicas, diplomáticas e políticas contra o Brasil desde 2025. Essas ações, segundo os signatários, **colocam em risco a parceria estratégica entre as duas nações** e representam uma violação da soberania brasileira, especialmente no que diz respeito a processos judiciais em andamento.
A carta detalha exemplos de ações que, na visão dos congressistas, configuram pressão indevida. Entre elas, citam-se as duas edições de tarifas contra produtos brasileiros, sanções aplicadas a membros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além da classificação de facções brasileiras como o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Conforme informação divulgada pelos próprios congressistas, as ações do governo Trump constituíram uma violação extraordinária da soberania nacional do Brasil e uma tentativa flagrante de pressionar as autoridades brasileiras em relação a um processo judicial em andamento.
Ações Econômicas e Diplomáticas Sob Crítica
Os parlamentares americanos condenam o uso de tarifas e sanções como forma de retaliação e pressão, especialmente em relação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF. Eles questionam os critérios legais e probatórios utilizados para aplicar a Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras, argumentando que tais medidas podem ser vistas como uma forma de **interferência direta nos assuntos internos do Brasil**.
O documento também aponta que a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas ocorreu após uma reunião entre o senador Flávio Bolsonaro e Donald Trump, levantando suspeitas sobre a motivação por trás da decisão. Os congressistas ressaltam que essa medida foi tomada ignorando propostas de cooperação bilateral do governo Lula e alimenta temores de **sanções financeiras extraterritoriais ou até mesmo intervenção militar**, com base em declarações anteriores de porta-vozes da Casa Branca sobre o “poderio militar” dos EUA.
Negativa de Visto e Retaliação Diplomática
A carta lembra ainda a negativa de visto concedida pelo Itamaraty a dois oficiais do Departamento de Estado americano, Riley Barnes e Samuel Samson, que teriam o intuito de questionar a integridade do sistema eletrônico de votação brasileiro. Em resposta, o governo norte-americano revogou o visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Viotti, em um ato de **retaliação diplomática** que agrava as tensões entre os dois países.
A exigência central dos 31 congressistas é que os Estados Unidos assumam um compromisso público e inequívoco de **reconhecer e respeitar o resultado das eleições brasileiras**, garantindo um processo democrático livre de pressões externas. A ação busca assegurar a estabilidade e a soberania do Brasil, além de preservar a relação bilateral em um momento crucial.
