A Organização das Nações Unidas, fundada em 1945 para manter a paz mundial, enfrenta um momento crítico de questionamento sobre sua própria relevância e eficácia.
Líderes mundiais, reunidos na Assembleia Geral da ONU, dedicaram parte significativa de seus discursos a debater o futuro da organização. As falas revelam um consenso crescente: a ONU, nos moldes atuais, não atende às demandas globais. A necessidade de reformas profundas e adaptação aos novos cenários internacionais é o tema central.
Este debate surge em um momento de transição, com a troca de liderança da organização em breve. O atual Secretário-Geral, António Guterres, deixará o cargo no final do ano, e o desafio de reestruturar a ONU recairá sobre seu sucessor. A crise financeira, agravada por cortes de financiamento de países importantes, adiciona pressão à já complexa tarefa.
A discussão sobre a sobrevivência da ONU ganhou força, divergindo de debates sobre conflitos globais ou os avanços da inteligência artificial. A própria organização antecipou a necessidade de se defender, mas os discursos confirmaram a percepção internacional de que mudanças são urgentes. As informações são do g1.
Críticas Afiadas e Apelos por Transformação
António Guterres, em seu discurso de abertura, admitiu que as instituições globais refletem uma era ultrapassada. O presidente argentino, Javier Milei, foi particularmente incisivo, classificando a ONU como “inútil” e um “parasita”. Já o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, destacou a **baixa recorde na credibilidade** da organização.
O presidente francês, Emmanuel Macron, criticou a **inação da ONU diante da crise em Gaza**, mas fez um apelo para que os países não abandonem a organização. Líderes como o presidente da Letônia, Edgars Rinkēvičs, e o presidente panamenho, José Raúl Molino, ecoaram a necessidade de uma ONU mais diplomática e eficaz na resolução de conflitos.
A professora de relações internacionais da ESPM, Denilde Holzhacker, descreve o momento como de **ruptura**, onde os Estados percebem a incapacidade da ONU em congregar processos globais. Contudo, o consenso aponta para a busca por **reformas e adaptação** como caminho para a sobrevivência.
O Conselho de Segurança em Foco e a Necessidade de Consenso
Um dos pontos mais criticados e que exige reforma urgente é o **Conselho de Segurança da ONU**. A estrutura, responsável por deliberar sobre guerras e conflitos, tem dois de seus membros permanentes, EUA e Rússia, atualmente envolvidos em guerras, o que paralisa suas ações. Guterres defendeu a inclusão de países africanos como membros permanentes, um pleito apoiado por líderes africanos.
No entanto, a **reforma do Conselho de Segurança depende do acordo dos cinco membros permanentes** (EUA, China, Rússia, França e Reino Unido), que raramente chegam a um consenso. Holzhacker explica que a própria incapacidade dos Estados em articular e cooperar é um fator que limita a ONU.
A sobrevivência e a eficácia da ONU dependem, em grande parte, da capacidade de seu próximo líder em **equilibrar os interesses de potências** como Estados Unidos e China, além das demandas do Sul Global. A organização precisa se adaptar às constantes mudanças no sistema internacional, um desafio que, segundo Holzhacker, está nas mãos dos próprios Estados.
Desafios Financeiros e a Busca por uma Nova ONU
A crise financeira, acentuada pelos cortes de financiamento dos EUA, principal contribuinte, adiciona uma camada de urgência à necessidade de reformas. A próxima liderança terá a tarefa de tornar a organização mais dinâmica e financeiramente sustentável.
Enquanto isso, o palco da Assembleia Geral serviu como plataforma para que líderes propusessem soluções e expressassem suas visões sobre o futuro da ONU. A discussão central não é sobre sua existência, mas sobre **como repensá-la para responder eficazmente às dinâmicas globais em constante evolução**.
