Chefe de prisões do Tennessee renuncia após falha na execução de Christa Pike e suspensão de todas as condenações à morte
O chefe do Departamento de Correções do Tennessee, Frank Strada, anunciou sua renúncia, que será efetivada ainda este mês. A decisão ocorre poucos dias após a tentativa fracassada de executar Christa Pike por injeção letal, um evento que chocou o estado e levou à suspensão de todas as execuções.
A falha na execução de Pike na última quarta-feira (30) resultou em seu agravamento de estado de saúde. Ela ficou inconsciente, necessitando de intubação e suporte respiratório, segundo informações apresentadas por seus advogados à Justiça na sexta-feira (2).
Este é o segundo incidente em 2026 no qual o Tennessee não consegue realizar uma execução. Diante disso, o governador Bill Lee determinou a suspensão de todas as execuções no estado até o final do ano. Uma investigação independente sobre o ocorrido na prisão de segurança máxima de Riverbend, em Nashville, foi iniciada.
Strada alega que saída é para o bem do estado, enquanto investigação avança
Em comunicado oficial, Frank Strada declarou que, apesar de acreditar que o departamento seguiu todos os protocolos estabelecidos, sua saída do cargo é “do melhor interesse dos habitantes do Tennessee enquanto a investigação independente avança”. O gabinete do governador informou que um comissário interino será anunciado em breve.
O governador Lee agradeceu a Strada por sua atuação e disposição em priorizar os interesses do estado em um momento delicado. “O comissário Strada atuou com integridade, e agradeço sua disposição em colocar os interesses dos habitantes do Tennessee em primeiro lugar durante este momento difícil”, declarou Lee.
Advogados de Christa Pike alertaram sobre condições médicas da presa
Os advogados de Christa Pike acusaram o Departamento de Correções de ignorar alertas médicos sobre a dificuldade de acesso intravenoso devido às veias finas da condenada e a uma condição sanguínea chamada trombocitose. Pike, atualmente com 50 anos, foi condenada à morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, ocorrido em 1995, quando ela tinha 18 anos.
Na sexta-feira, médicos ainda trabalhavam para salvar a vida de Christa Pike e remover o pentobarbital de seu organismo, conforme relatado por seus advogados. A situação de Pike contrastou drasticamente com sua declaração final antes do procedimento.
Declaração final e a falha na execução
Segundo a agência Associated Press, que testemunhou o procedimento, Christa Pike expressou estar em paz e pronta para a liberdade. “Estou pronta para ser livre. Hoje é um dia feliz”, disse ela em sua última declaração, já amarrada à maca.
Contudo, o que se seguiu foi uma série de eventos perturbadores. Após a aplicação de duas injeções de pentobarbital, Pike continuou respirando, chegou a falar, reclamar de dor no braço e, mesmo inconsciente, emitiu sons semelhantes a roncos e respiração ofegante. O evento gerou grande repercussão nacional e internacional.
Problemas com acesso intravenoso podem ter causado a falha
Em documento judicial, os advogados de Pike detalharam a crença de que houve falhas nos acessos intravenosos, resultando na injeção do pentobarbital diretamente nos tecidos do corpo, em vez da corrente sanguínea. “Aparentemente, em nenhum momento qualquer integrante da equipe de execução percebeu que os acessos intravenosos não estavam posicionados corretamente ou que as veias haviam se rompido. Com isso, o pentobarbital entrou, total ou parcialmente, no corpo da senhora Pike”, explicaram.
Os advogados também afirmaram que, em vez de corrigir o problema, a equipe prosseguiu com a aplicação de um segundo conjunto de seringas com a substância letal, agravando a situação e levando à necessidade de cuidados médicos intensivos para a condenada.
