Pastor e Ex-Candidato Político em RO é Acusado por Mais de 10 Mulheres de Crimes Sexuais e Estupro

RONDONIA

Pastor e Ex-Candidato Político em RO é Acusado por Mais de 10 Mulheres de Crimes Sexuais e Estupro

Um pastor e ex-candidato a prefeito de Porto Velho e senador por Rondônia, Aluízio Vidal Flor, de 58 anos, foi preso preventivamente e denunciado por estupro e violação sexual. Ao todo, 12 mulheres procuraram o Ministério Público de Rondônia (MP-RO) para denunciá-lo, segundo informações divulgadas pelo g1.

O MP-RO aponta que o pastor se aproveitava de sua atuação profissional como psicólogo e de sua liderança religiosa para abordar mulheres em situação de vulnerabilidade. Essas mulheres buscavam ajuda em seu consultório, muitas vezes fragilizadas por perdas gestacionais, traumas familiares ou crises conjugais.

A iniciativa de uma das vítimas deu início a uma série de denúncias que indicam um padrão de crimes sexuais atribuídos ao pastor que se estende por cerca de 20 anos. A investigação policial e a denúncia do MP-RO buscam esclarecer a extensão desses atos e garantir justiça às vítimas.

O Padrão de Abuso e a Busca por Justiça

Segundo a denúncia apresentada pelo MP-RO, Aluízio Vidal Flor utilizava sua imagem de autoridade e confiança para perpetrar os crimes. A primeira mulher a denunciá-lo, Mirian Rios, relatou ao g1 o choque ao perceber que o homem que deveria cuidar de sua saúde emocional e orientá-la espiritualmente estava cometendo tais atos.

Formado em psicologia há aproximadamente 30 anos e ex-professor universitário, Aluízio atuava tanto em seu consultório psicológico quanto nos bastidores da Igreja Presbiteriana em Porto Velho, onde era pastor e membro do conselho. Essa dupla atuação facilitava o acesso a pessoas em momentos de fragilidade.

O acusado também tentou trilhar uma carreira política, concorrendo a deputado estadual em 2006, à Prefeitura de Porto Velho uma vez e ao Senado Federal em três ocasiões. Essa visibilidade pública pode ter contribuído para a construção de uma imagem de credibilidade que, segundo as vítimas, era explorada para fins criminosos.

Vítimas Relatam Silenciamento e Descredibilização

A imagem de autoridade construída por Aluízio Vidal Flor gerava medo nas vítimas de não serem levadas a sério, conforme relatos ouvidos pelo g1. Mulheres que tentaram denunciar os abusos dentro da igreja afirmam ter sido silenciadas e desacreditadas.

Heidy Herrera, por exemplo, procurou a liderança da igreja há cerca de 20 anos para denunciar importunação, incluindo ligações noturnas e beijos forçados. Ela foi informada que o ocorrido poderia ter sido mal interpretado e que Aluízio teria confundido carinho com outros sentimentos.

Mirian Rios passou por situação semelhante ao buscar ajuda na instituição religiosa. Um julgamento interno conduzido por 13 homens da Igreja Presbiteriana do Brasil descartou suas denúncias por falta de provas. Ela descreveu o momento como um dos piores de sua vida, sentindo sua dignidade violada.

Investigações em Andamento e Posição da Defesa

As histórias de Heidy, Mirian e outras 10 vítimas foram coletadas pelo Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navit) do MP-RO. Em setembro, o pastor foi denunciado à Justiça com base em um inquérito policial que incluía oito vítimas. Uma segunda investigação apura os relatos de mais quatro mulheres.

Alguns casos não foram incluídos na denúncia formal por estarem prescritos ou por não se enquadrarem na tipificação de importunação sexual à época dos fatos. O Navit oferece acolhimento a pessoas em situação de vulnerabilidade, garantindo privacidade durante a apuração.

Após a prisão, a defesa de Aluízio Vidal afirmou acreditar na inocência do pastor e que as investigações comprovariam sua inocência. Contudo, após a denúncia à Justiça, o advogado optou por não se pronunciar sobre o caso.

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