Flávio Bolsonaro: Voo misterioso para os EUA via Argentina gera polêmica e investigações da PF
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria embarcado em um voo privado rumo à Argentina na noite de terça-feira (26), com destino final aos Estados Unidos. A informação foi divulgada pelo site argentino Infobae, conhecido por sua credibilidade no país. A notícia acendeu um alerta na Polícia Federal, que busca confirmar se o senador deixou o território brasileiro.
Enquanto a PF rastreia as fronteiras para averiguar a veracidade da informação, o irmão de Flávio, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, que reside nos EUA, ironizou a notícia. Ele sugeriu que a informação era uma invenção da esquerda para justificar ações contra o senador. A assessoria de Flávio Bolsonaro não respondeu aos contatos da reportagem.
A situação se intensifica com a intimação de Flávio Bolsonaro pela Polícia Federal para entregar seus passaportes, comum e diplomático, em até 24 horas, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O prazo para a entrega dos documentos, que deveria se encerrar no fim da manhã de hoje, ainda não foi cumprido, segundo apurações. Conforme informação divulgada pelo UOL, o senador teria sido intimado após uma decisão sigilosa de Moraes, que citou uma declaração anterior de Eduardo Bolsonaro sobre a possibilidade de Flávio deixar o país caso perdesse as eleições.
O que diz o site argentino e a imprensa local
O Infobae, um dos maiores e mais confiáveis sites de notícias da Argentina, reportou que Flávio Bolsonaro teria cruzado a fronteira para o país e planejava embarcar em Puerto Iguazú, província de Misiones, em um jatinho Gulfstream G400. A decolagem estaria prevista para as 2h da madrugada desta quarta-feira (27). Segundo o site, o senador teria utilizado seu documento de identidade nacional para atravessar a fronteira. A aeronave em questão, de matrícula LV-JQW, pertence à empresa Baires Fly S.A. e, de acordo com o Infobae, solicitou trâmites de aduana e migração para quatro passageiros e três tripulantes.
No entanto, o jornal argentino La Nación informou que a decolagem para os EUA não ocorreu. Fontes da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA) indicaram que um dos quatro passageiros não compareceu. A aeronave permanece em Puerto Iguazú, segundo a Polícia de Misiones. O Ministério da Segurança da Nação, por sua vez, declarou ao La Nación que não há registros de entrada de Flávio Bolsonaro no país.
Investigações e a ordem de entrega de passaportes
A ordem de Alexandre de Moraes para a entrega dos passaportes de Flávio Bolsonaro está ligada a dois inquéritos criminais em andamento no STF. Em um deles, o senador é investigado por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas em um suposto pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a trajetória de seu pai, Jair Bolsonaro. O senador nega as irregularidades.
O outro inquérito trata da relação de Flávio com seu amigo Willer Tomaz, advogado investigado por fraudes no INSS. A análise do celular de Tomaz revelou movimentações financeiras suspeitas. E-mails obtidos pela PF indicam que Willer Tomaz dividia uma conta bancária no Santander com Flávio Bolsonaro, que seria o “usuário master” da conta. Ambos negam a divisão da conta. Willer Tomaz é acionista da empresa que controla a casa de apostas BestBet, na qual Flávio Bolsonaro foi apontado como sócio oculto.
Flávio Bolsonaro nega intenção de deixar o país
Em um vídeo publicado nas redes sociais na terça-feira (26), Flávio Bolsonaro afirmou que “nunca pensou em deixar o país”. Ele declarou que entregará seus passaportes e se defenderá da decisão de Moraes, que considera uma “clara tentativa de me intimidar”. O senador mencionou que a decisão judicial cita uma declaração de seu irmão Eduardo Bolsonaro, sugerindo que ele deixasse o país em caso de derrota eleitoral.
A aeronave em questão
A aeronave Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, está registrada na Argentina desde setembro de 2020 em nome da Baires Fly S.A. Antes, operou com matrículas dos EUA e México. O modelo, fabricado em 2004, tem capacidade para 13 passageiros e autonomia de voo de até 7.800 quilômetros. A Baires Fly oferece serviços personalizados de voos executivos.
