Em Rondônia, Anacelia e Fabíola vivem a alegria da maternidade com a adoção de Anthony Ravi, bebê com autismo.
A história de Anacelia e Fabíola, moradoras de Porto Velho, em Rondônia, inspira e emociona. Após dois anos e meio de preparação e espera, o casal homoafetivo realizou o sonho de se tornar mãe com a adoção de Anthony Ravi, um bebê diagnosticado com autismo nível 3, perda auditiva unilateral e plagiocefalia postural.
O processo de adoção exigiu dedicação e flexibilidade, com o casal abrindo mão de expectativas iniciais para acolher uma criança com necessidades específicas. A jornada delas demonstra que o amor e o desejo de formar uma família podem superar barreiras e preconceitos.
A ligação que mudou suas vidas aconteceu em maio, e a decisão de acolher Anthony Ravi foi imediata, apesar de terem tido alguns dias para pensar. A chegada do pequeno trouxe uma nova rotina, repleta de cuidados médicos e terapias, mas também de conquistas que celebram a cada dia. Conforme informações divulgadas pelo g1, Rondônia registrava 34 crianças e adolescentes aguardando adoção em 14 de outubro de 2026, sendo metade com 10 anos ou mais.
A jornada para a maternidade e o desejo de acolher
Anacelia e Fabíola se consideram “sortudas” por terem sido escolhidas por Anthony Ravi. O casal esperou cerca de dois anos para entrar na fila de adoção e mais seis meses para ter o bebê em casa e oficializar a filiação.
Durante o processo, elas precisaram rever suas expectativas. O desejo de serem mães era o principal motor, e a possibilidade de acolher uma criança fora do perfil inicialmente idealizado não foi um impedimento. Para elas, o amor e o cuidado são os pilares da formação familiar.
“Ele que nos escolheu para ser mãe dele. Com ele, estamos aprendendo muitas coisas boas. Todos os dias ele nos ensina a viver”, conta Fabíola, evidenciando a profundidade do vínculo que se formou.
Ravi e suas conquistas: superando previsões médicas
A chegada de Ravi trouxe uma rotina intensa de acompanhamento médico e terapias. Uma das maiores alegrias do casal foi testemunhar o desenvolvimento motor do filho, que superou as previsões médicas. Inicialmente, havia a possibilidade de que ele não andasse devido às dificuldades motoras.
Com o suporte das terapias e o amor incondicional das mães, Ravi começou a dar os primeiros passos sem a necessidade de aparelhos de apoio. Essa conquista é motivo de grande celebração para Anacelia e Fabíola.
“Ele não iria andar, mas, com a graça de Deus e suas terapias, hoje nosso filho anda sem precisar de nenhum aparelho de apoio. Antes, ele não fixava o olhar em nós e hoje já até abraça, no tempo dele”, relata Fabíola, emocionada.
Adoção em Rondônia: um olhar sobre os números e a preparação
Dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), consultados em 14 de outubro de 2026, indicavam que 34 crianças e adolescentes aguardavam adoção em Rondônia. Desse total, 17 tinham 10 anos ou mais, demonstrando a necessidade de ampliar o olhar para a adoção de crianças mais velhas.
A psicóloga do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO), Danielle de Oliveira Paulon, explica que a preparação para a adoção é fundamental. Ela ajuda os pretendentes a refletirem sobre suas expectativas, a reconhecerem seus limites e a conhecerem outras possibilidades de filiação.
“Ampliar o perfil não significa aceitar uma situação para a qual a família não esteja preparada, mas conhecer outras possibilidades de filiação e compreender que o vínculo familiar pode ser construído em diferentes idades e circunstâncias”, pontua a psicóloga.
O caminho para a adoção: informação e autoconhecimento
O processo de adoção envolve preparação, habilitação dos pretendentes e a garantia dos direitos da criança. Em Porto Velho, a preparação inclui cursos online e presenciais promovidos pela Vara de Proteção à Infância e Juventude.
O autoconhecimento também é crucial. A psicóloga Danielle de Oliveira Paulon ressalta a importância de os pretendentes reconhecerem suas vulnerabilidades e como experiências pessoais podem influenciar a construção do vínculo com a criança.
A construção do vínculo afetivo não é imediata, mas se desenvolve com o tempo, a convivência e a confiança. Em caso de dificuldades, a orientação é procurar a equipe técnica para avaliação e encaminhamento.
Para quem deseja adotar, a busca por informações e a participação na preparação são essenciais. A adoção não exige famílias perfeitas, mas adultos dispostos a aprender, buscar apoio e respeitar a história e o tempo da criança ou adolescente. “Crianças maiores e adolescentes também têm o direito de crescer em uma família”, reforça Danielle.
