Operação Nêmesis: Dragas de R$ 4 Milhões Contra Garimpo Ilegal no Rio Madeira São Inutilizadas pela PF e Ibama

GERAL

Operação contra garimpo ilegal atinge dragas de mais de R$ 4 milhões no rio Madeira

Dragas de altíssimo valor, avaliadas em mais de R$ 4 milhões cada, foram o alvo de uma importante operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Porto Velho, Rondônia. As estruturas estavam operando ilegalmente no rio Madeira, em um trecho específico acima da Usina de Jirau, sem a devida autorização para exploração mineral.

A ação, que faz parte da segunda fase da Operação Nêmesis, concentrou esforços em identificar e desmobilizar atividades de garimpo ilegal que causam severos danos ao meio ambiente. Durante a operação, foram apreendidas não apenas as dragas, mas também armas de fogo e equipamentos utilizados em processos químicos perigosos, como a queima de amálgama, que libera mercúrio no ambiente.

O foco exclusivo da fiscalização foram as dragas instaladas em pontos sem qualquer tipo de permissão de lavra garimpeira ou licenciamento ambiental. Áreas que possuíam títulos minerários e licenças válidas não foram alvo da operação, demonstrando a precisão e o direcionamento da ação. Conforme informação divulgada pelo Rondoniagora.com, a PF cruzou dados de localização das estruturas com os registros da Agência Nacional de Mineração (ANM) para constatar as irregularidades.

Mercúrio e substâncias nocivas removidas antes da inutilização

Um dos pontos cruciais da operação foi a retirada de mercúrio metálico e outras substâncias perigosas encontradas nas dragas antes de sua inutilização. Essa medida foi fundamental para evitar que esses materiais altamente tóxicos fossem dispersos no rio Madeira durante o processo de destruição das embarcações. O material recolhido foi apreendido e terá destinação ambientalmente adequada, conforme os procedimentos legais.

Inutilização das dragas: uma medida necessária

A decisão de inutilizar as dragas foi tomada devido à impossibilidade de removê-las do local. As estruturas estavam localizadas acima da barragem de Jirau, onde não havia meios adequados para reboque nem espaço suficiente para armazenamento seguro. Essa medida está prevista no Decreto nº 6.514/2008, que permite a inutilização de equipamentos em situações que envolvem riscos ambientais, de segurança ou impossibilidade de transporte e guarda.

Impactos ambientais e investigação em andamento

O uso de mercúrio na extração ilegal de ouro representa um grave risco de contaminação para o rio Madeira e suas populações. O metal pode se acumular na cadeia alimentar, afetando peixes e, consequentemente, comunidades ribeirinhas e indígenas que dependem dos recursos do rio. A legislação brasileira proíbe o uso de mercúrio em atividades de extração de ouro não licenciadas, e o Brasil é signatário da Convenção de Minamata, que visa reduzir e eliminar o uso desse metal.

Além da contaminação por mercúrio, a exploração irregular de ouro causa o assoreamento do rio e a destruição de suas margens. A investigação em curso busca identificar os responsáveis pela atividade criminosa, incluindo quem financia, organiza a logística, fornece os materiais e recebe o ouro extraído ilegalmente, visando desarticular toda a cadeia produtiva do garimpo ilegal.

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