Juiz Decide: Trump Perde Processo de US$ 10 Bilhões Contra The Wall Street Journal por Reportagem sobre Jeffrey Epstein

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Juiz dos EUA Rejeita Ação de Trump Contra The Wall Street Journal em Caso de US$ 10 Bilhões

Um revés judicial para Donald Trump. O juiz Darrin P. Gayles, do Tribunal Distrital dos EUA em Miami, rejeitou nesta segunda-feira (13) a ação de difamação movida pelo ex-presidente contra o jornal The Wall Street Journal. Trump buscava uma indenização de US$ 10 bilhões por uma reportagem que o ligava ao financista Jeffrey Epstein.

A reportagem, publicada em setembro de 2025, alegava que Trump enviou a Epstein, conhecido por crimes sexuais, uma carta com conteúdo sugestivo e um desenho de uma mulher nua. A defesa de Trump argumentava que a publicação foi feita com intenção maliciosa e difamatória.

No entanto, o juiz determinou que Trump não apresentou evidências suficientes para comprovar a “intenção maliciosa” exigida em casos de difamação envolvendo figuras públicas. Apesar da rejeição inicial, o ex-presidente tem até 27 de abril para apresentar uma versão revisada de sua ação. Conforme divulgado pela Reuters, o juiz Gayles ressaltou que Trump não atendeu ao padrão legal de provar não apenas a falsidade da declaração, mas também o conhecimento dessa falsidade por parte do jornal.

O Critério de “Dolo Específico” e a Defesa do Jornal

O magistrado explicou que o padrão de “dolo específico” é rigoroso e exige que se demonstre que a publicação foi feita com conhecimento de sua falsidade. Segundo o juiz, Trump falhou em cumprir esse requisito fundamental. Ele também destacou que o Wall Street Journal buscou o comentário de Trump antes da publicação e incluiu sua negação, permitindo que os leitores formassem suas próprias conclusões.

Essa inclusão da negativa de Trump, de acordo com o juiz, contraria a alegação de que o jornal agiu com dolo. O juiz, contudo, não se pronunciou sobre a veracidade dos fatos relatados na reportagem em si, focando apenas no aspecto legal da ação de difamação.

Reação de Trump e do Wall Street Journal

Horas após a decisão, Donald Trump utilizou sua rede social, Truth Social, para comentar o caso. Ele afirmou que a decisão “não é um encerramento”, mas sim uma “sugestão de reapresentação” de seu “caso poderoso”, que ele pretende fazer até o prazo estipulado de 27 de abril. A declaração indica a intenção de Trump de prosseguir com a batalha legal.

Um porta-voz da Dow Jones, empresa controladora do Wall Street Journal, expressou satisfação com a decisão. Em comunicado, a empresa declarou: “Estamos satisfeitos com a decisão do juiz de rejeitar esta queixa. Mantemos nossa posição quanto à confiabilidade, no rigor e na precisão das reportagens do Wall Street Journal.”

O Conteúdo da Reportagem Controversa

A reportagem em questão, publicada em setembro de 2025, detalha uma carta que Trump teria enviado a Jeffrey Epstein em 2003. O conteúdo da correspondência faria parte de um álbum comemorativo para o aniversário de 50 anos de Epstein, organizado por Ghislaine Maxwell, sua parceira. A carta atribuída ao ex-presidente continha uma mensagem escrita à mão dentro do desenho de uma mulher nua, com a assinatura “Donald” e a frase: “Feliz aniversário — e que cada dia seja mais um maravilhoso segredo”.

O jornal também divulgou um trecho de um diálogo fictício presente na suposta carta, que incluía comentários entre Trump e Epstein sobre “enigmas” e “amigos”. Trump negou veementemente ter escrito a carta ou feito o desenho, afirmando: “Nunca pintei um quadro na minha vida. Não desenho mulheres. Não é a minha linguagem. Não são as minhas palavras.” O Wall Street Journal baseou sua reportagem em acesso ao suposto conteúdo do álbum, que teria sido analisado por investigadores do Departamento de Justiça.

Próximos Passos na Disputa Legal

Com a autorização para apresentar uma versão revisada, o caso ainda não está encerrado. A decisão do juiz foca na apresentação inicial da ação, e Trump terá a oportunidade de reformular seus argumentos dentro do prazo legal. A comunidade jurídica acompanha de perto os desdobramentos desta disputa, que envolve alegações sérias e altas cifras financeiras, reafirmando a importância da precisão jornalística e dos devidos processos legais.

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