Guarda Revolucionária do Irã critica chanceler por anunciar reabertura do Estreito de Ormuz e ameaça fechar passagem novamente

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Guarda Revolucionária Iraniana Contesta Anúncio de Reabertura do Estreito de Ormuz e Eleva Tensão com EUA

A agência estatal iraniana Tasnim, com fortes laços com a Guarda Revolucionária, criticou o anúncio feito pelo chanceler do Irã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz. A agência descreveu o comunicado como incompleto e advertiu que a passagem vital para o comércio global de petróleo pode ser fechada novamente caso os Estados Unidos mantenham seu bloqueio naval na região.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, anunciou anteriormente que o país reabriria totalmente o Estreito de Ormuz durante o período de cessar-fogo com os EUA, que tem data de expiração próxima. No entanto, a Tasnim considerou a forma como a informação foi disseminada como de “extremo mau gosto”, por ter sido publicada sem os devidos esclarecimentos e por gerar ambiguidades sobre as condições de passagem.

A Guarda Revolucionária, que responde diretamente ao líder supremo do Irã, enfatizou que diversas condições foram consideradas para a liberação da passagem, incluindo a supervisão completa das Forças Armadas iranianas. A agência ligada aos militares deixou claro que a decisão de reabertura será considerada cancelada se o bloqueio naval norte-americano persistir, conforme divulgado pela Tasnim.

Condições e Ambiguidade na Reabertura do Estreito de Ormuz

A declaração do chanceler iraniano, Abbas Araghchi, informou que a passagem para todos os navios comerciais pelo Estreito de Ormuz estaria completamente aberta pelo período restante da trégua. “De acordo com o cessar-fogo no Líbano, a passagem para todos os navios comerciais pelo Estreito de Ormuz é declarada completamente aberta pelo período restante do cessar-fogo, na rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Marítima da República Islâmica do Irã”, declarou Araghchi.

Contudo, a agência Tasnim apontou que o anúncio de Araghchi foi realizado “sem as explicações necessárias e suficientes”, o que, segundo a agência, “criou ambiguidades sobre as condições de passagem”. A Guarda Revolucionária ressaltou que a supervisão das Forças Armadas iranianas sobre a navegação dos navios é uma das condições mais importantes.

EUA Mantêm Bloqueio Naval e Trump Exige Acordo Total

Apesar do anúncio iraniano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende manter o bloqueio naval na saída do Estreito de Ormuz. Trump declarou que só retirará suas tropas da rota após as negociações com o Irã estarem “100% concluídas”. Ele indicou a possibilidade de uma nova rodada de negociações neste fim de semana, após as tratativas anteriores em Islamabad terem terminado sem acordo.

Um integrante do governo iraniano também confirmou à Reuters que o país voltaria a fechar o Estreito de Ormuz caso os Estados Unidos insistam no bloqueio naval. A notícia da reabertura, no entanto, já provocou uma queda nos preços do petróleo no mercado internacional, refletindo a importância estratégica da via marítima.

Importância Estratégica e Histórico de Tensão no Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes para o comércio global de petróleo, sendo responsável pelo transporte de cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo. A interrupção do transporte pelo canal nas últimas semanas causou um aumento expressivo nos preços da commodity.

Desde o início da atual guerra no Oriente Médio, o Irã havia fechado a passagem pelo Estreito de Ormuz, em retaliação aos ataques dos Estados Unidos e de Israel. A via marítima, estreita e localizada entre Omã e Irã, facilita o controle por parte dos países que a margeiam. O Irã chegou a ameaçar atacar navios que cruzassem o estreito, disparando contra alguns deles e implementando minas navais.

Dados do site de monitoramento de transporte marítimo Kpler já indicavam uma retomada na circulação pelo estreito antes mesmo do anúncio oficial, com três petroleiros iranianos deixando o Golfo do Irã. Trump mencionou que os EUA estão trabalhando com o Irã para a retirada de minas, embora o governo iraniano tenha afirmado não saber a localização exata de todas elas, recomendando que os navios sigam rotas seguras.

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