Ataque devastador na Colômbia: 14 mortos, cinco crianças, e 38 feridos em explosão que agrava clima de insegurança antes das eleições presidenciais.
Um violento ataque a bomba, ocorrido neste sábado (25) no sudoeste da Colômbia, resultou na morte de 14 pessoas, sendo cinco delas menores de idade, e deixou pelo menos 38 feridos. A explosão, que destruiu veículos e deixou crateras em uma estrada no departamento de Cauca, eleva a tensão no país a pouco mais de um mês das eleições presidenciais, marcadas para 31 de maio.
As autoridades colombianas atribuíram o atentado a grupos dissidentes das Farc, que não aderiram ao acordo de paz de 2016 e têm intensificado suas atividades criminosas. Imagens da Agence France-Presse (AFP) mostram o rastro de destruição deixado pela explosão, com corpos de vítimas próximos a veículos destruídos.
Testemunhas relataram o impacto assustador da explosão, com algumas pessoas sendo arremessadas a vários metros de distância. “Estávamos esperando a liberação para avançar e essa bomba explodiu bem ali”, contou à AFP Francisco Javier Betancourt, agricultor de café e testemunha do atentado, expressando seu temor com a escalada da violência no país. Conforme informação divulgada pelas autoridades, a Colômbia tem enfrentado uma série de atentados nas últimas semanas.
Dissidentes das Farc sob mira do governo
O presidente Gustavo Petro classificou os responsáveis pelo ataque como “terroristas, fascistas e narcotraficantes” e prometeu mobilizar os melhores soldados para combatê-los. Petro apontou como principal responsável pelo atentado Iván Mordisco, considerado o criminoso mais procurado do país e comparado ao famoso traficante Pablo Escobar. As tentativas de negociação de paz do governo com organizações armadas, iniciadas após a posse de Petro em 2022, não obtiveram sucesso, e a atividade desses grupos se fortaleceu.
Ataques recentes e reforço na segurança
O atentado em Cauca segue uma onda de violência que assola a região. Na sexta-feira (24), um ataque a uma base militar em Cali, a terceira maior cidade colombiana, deixou dois feridos. Nos últimos dois dias, foram registrados 26 ataques nos departamentos de Valle del Cauca e Cauca, segundo Hugo López, comandante das Forças Militares. O ministro da Defesa, Pedro Sánchez, sobrevoou a área afetada e garantiu o reforço da presença militar e policial para conter a ofensiva.
Eleições presidenciais em clima de tensão e ameaças
A escalada de violência ocorre em um momento crucial para a Colômbia, com as eleições presidenciais se aproximando em 31 de maio. A segurança se tornou um dos temas centrais do debate eleitoral, especialmente após o assassinato do pré-candidato de direita Miguel Uribe em junho de 2025. O herdeiro político do atual presidente, senador Iván Cepeda, lidera as pesquisas, seguido pelos conservadores Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia. Todos os três candidatos denunciaram terem recebido ameaças de morte e contam com esquemas de segurança reforçados.
Debate sobre segurança e financiamento de grupos armados
De la Espriella e Paloma Valencia têm criticado a política de paz do presidente Petro, defendendo uma postura mais dura contra os grupos rebeldes. Na Colômbia, é comum que organizações armadas, que se financiam por atividades ilícitas como o narcotráfico, o garimpo ilegal e a extorsão, busquem exercer influência e pressão através da violência no cenário político, especialmente durante períodos eleitorais.
