Guerra no Oriente Médio pode disparar preço de passagens aéreas: Ministro espanhol alerta e recomenda comprar agora

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Guerra no Oriente Médio: Comprar passagens aéreas agora pode evitar preços mais altos, alerta ministro espanhol

O conflito no Oriente Médio acende um alerta para o bolso dos viajantes. O Ministro da Indústria e Turismo da Espanha, Jordi Hereu, fez um pronunciamento incomum, recomendando que as pessoas comprem suas passagens aéreas o quanto antes. A razão é o temor de um aumento abrupto nos preços, impulsionado pela escalada do custo do petróleo e do querosene de aviação.

A instabilidade na região, com envolvimento de potências como os Estados Unidos e o Irã, levanta preocupações sobre o fornecimento e o preço do combustível de aviação. Esse cenário, segundo o ministro, pode resultar em tarifas aéreas significativamente mais elevadas, especialmente com a aproximação do verão no hemisfério norte.

A advertência, divulgada em entrevista ao jornal econômico Expansion, quebra um silêncio que pairava sobre os impactos econômicos diretos da guerra. Governos e companhias aéreas vinham tratando do assunto de forma técnica ou evitando o debate público, mas a situação atual exige uma comunicação mais direta com os consumidores. A informação foi divulgada pelo ministro Jordi Hereu.

Ameaça de Aumento nas Tarifas Aéreas e Cancelamentos

Jordi Hereu destacou o risco concreto de um aumento abrupto no transporte aéreo e até mesmo de cancelamentos em cadeia devido à potencial escassez de combustível. Ele explicou que as companhias aéreas ainda utilizam querosene comprado em momentos de menor preço, mas que essa vantagem é temporária. Existe, portanto, um risco real de flutuação nos preços das passagens.

O ministro foi explícito ao afirmar que a alta do querosene de aviação ameaça elevar as tarifas e pressionar negativamente a demanda por viagens, especialmente em voos de média e longa distância. A Espanha, que recebeu um número recorde de 97 milhões de turistas em 2025, corre o risco de ver seu pujante setor turístico afetado por fatores externos incontroláveis.

Medidas em Curso e Impactos Já Visíveis

Autoridades espanholas e europeias estão ativamente buscando medidas para evitar uma crise de abastecimento de combustível de aviação. O problema já é tratado como estrutural e não meramente hipotético. Segundo a organização Transport & Environment, a alta recente do petróleo já adicionou mais de US$ 100 ao custo de voos de longa distância com origem na Europa, um valor que tende a ser repassado aos consumidores.

A Transavia, companhia de baixo custo do grupo Air France-KLM, já anunciou que ajustará sua malha aérea em maio e junho de 2026 para otimizar custos. A empresa confirmou o cancelamento de parte dos voos previstos para esses meses, representando menos de 2% da programação total. Clientes afetados estão sendo contatados individualmente para remarcação, crédito ou reembolso.

Incerteza sobre o Abastecimento de Combustível

O diretor-executivo da Ryanair, Michael O’Leary, expressou preocupação com o fornecimento de querosene para junho. Ele indicou que as próprias petroleiras admitem dificuldades em garantir o abastecimento total para esse período. O’Leary associou diretamente os preços elevados à condução do conflito no Oriente Médio, alertando que entre 10% a 20% do abastecimento da Ryanair está em risco.

O Reino Unido é apontado como o país mais exposto a possíveis cancelamentos, devido à dependência de fornecimento do Kuwait, impactado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz. Embora a França não enfrente dificuldades imediatas, o governo admitiu a possibilidade de liberar estoques estratégicos se surgirem problemas de volume. A Europa importa cerca de metade de seu querosene dos países do Golfo, e o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de hidrocarbonetos, intensifica a vulnerabilidade.

União Europeia Reconhece Risco de Crise

Em Bruxelas, o comissário europeu Dan Jorgensen reconheceu que a União Europeia está se aproximando rapidamente de uma potencial crise de abastecimento. O risco de um verão com passagens aéreas mais caras e cancelamentos de voos é concreto, segundo ele. A situação demanda atenção e ações coordenadas para mitigar os impactos no setor de aviação e no turismo global.

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