A tensão que cerca Donald Trump em encontros diplomáticos: Cinco exemplos de constrangimentos que moldam a expectativa para a reunião com Lula
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é conhecido por seu estilo imprevisível e declarações que frequentemente geram polêmica. Encontros bilaterais com o líder americano já podem ser tensos por si só, mas a postura de Trump costuma intensificar essa apreensão, com históricos de constrangimentos públicos e momentos desconfortáveis ao lado de chefes de Estado estrangeiros.
Nesta quinta-feira (7), o presidente Lula terá seu terceiro encontro com Trump desde o retorno do republicano ao poder. O retrospecto de Trump em reuniões diplomáticas adiciona um componente extra de tensão a este novo diálogo entre os líderes.
Esta reportagem relembra cinco ocasiões marcantes em que Donald Trump se envolveu em controvérsias ou protagonizou situações embaraçosas com líderes de outras nações, conforme informações divulgadas pela mídia. Estes episódios ajudam a compreender a apreensão que cerca o encontro de Lula com o ex-presidente.
África do Sul: Acusações de “genocídio branco” e silêncio constrangedor
Em maio do ano passado, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, foi surpreendido por Donald Trump com alegações sobre um suposto “genocídio branco” no país. Após uma conversa inicial amigável, Trump solicitou a exibição de vídeos que, segundo ele, comprovariam tais crimes, mostrando túmulos de fazendeiros brancos.
Ramaphosa assistiu às imagens em silêncio, ao lado de Trump. Posteriormente, o presidente sul-africano rejeitou a alegação, afirmando que as taxas de homicídio no país são altas, mas a esmagadora maioria das vítimas é negra. Trump, no entanto, interrompeu Ramaphosa, insistindo em sua versão. O líder sul-africano buscou apaziguar a situação, declarando que estavam dispostos a conversar sobre as preocupações de Trump, que acusava o país de confisco de terras e fomento à violência contra fazendeiros brancos.
Japão: Surpresa com pergunta sobre guerra e referência histórica
Em março deste ano, durante um encontro na Casa Branca com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, Trump reagiu de forma inesperada a uma pergunta de uma repórter japonesa sobre por que ele não havia alertado seus aliados sobre seus planos de guerra contra o Irã. A primeira-ministra japonesa demonstrou surpresa com a resposta, com expressões faciais que indicavam desconforto.
A situação ganhou um tom peculiar devido ao histórico da Segunda Guerra Mundial, quando Estados Unidos e Japão estiveram em lados opostos. Apesar do alinhamento político e conservador atual entre Takaichi e Trump, a referência a um contexto de conflito global parece ter gerado um momento de estranheza.
Ucrânia: “Apostas com a Terceira Guerra Mundial” e ultimato a Zelensky
Em meio à guerra entre Ucrânia e Rússia, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reuniu-se com Trump na Casa Branca para discutir a exploração de terras raras ucranianas pelos Estados Unidos. O encontro se tornou tenso nos minutos finais, quando Zelensky expressou desconfiança sobre o compromisso de Putin em encerrar o conflito e o chamou de “assassino”.
O vice-presidente americano, JD Vance, interveio, considerando a abordagem desrespeitosa. Trump, por sua vez, elevou o tom, acusando Zelensky de “apostar com a vida de milhões de pessoas” e com a “Terceira Guerra Mundial”, o que considerou desrespeitoso ao país que o apoiou. Trump finalizou com um ultimato: “Ou vocês fazem um acordo ou estamos fora. E se estivermos fora, vocês terão que lutar sozinhos”.
Canadá: Proposta de anexação e rejeição firme de Carney
Em junho de 2025, o então primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, também se reuniu com Trump na Casa Branca. Naquele período, Trump vinha defendendo a ideia de que o Canadá se tornasse o 51º estado dos Estados Unidos, descrevendo a integração como um “casamento perfeito”.
No entanto, Carney rejeitou a proposta de forma categórica, demonstrando a firmeza do Canadá em manter sua soberania e identidade nacional, distanciando-se da visão expansionista de Trump.
Faixa de Gaza: Plano de anexação e “limpeza étnica”
Donald Trump defendeu a anexação da Faixa de Gaza, com planos de construir uma “Riviera do Oriente Médio” no território, que teve sua infraestrutura destruída pela guerra entre Hamas e Israel. Sua proposta previa que os palestinos não teriam direito de retorno, uma manobra vista como limpeza étnica pela comunidade internacional.
Trump declarou: “Não há nada o que comprar”, sobre Gaza. “Vamos tomá-la, vamos mantê-la, vamos valorizá-la.” Ele acreditava que Jordânia e Egito acabariam concordando em abrigar os deslocados de Gaza, países que dependem economicamente e militarmente de Washington. O Rei Abdullah da Jordânia, no entanto, reiterou a posição do país contra o deslocamento de palestinos, classificando-a como “a posição árabe unificada”.
