Adolescente Estuprada Chora: ‘Pedrada no Rosto’ da Decisão que Poupa Agressores Jovens da Prisão no Reino Unido

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Adolescente Estuprada Chora: ‘Pedrada no Rosto’ da Decisão que Poupa Agressores Jovens da Prisão no Reino Unido

Uma jovem vítima de estupro no Reino Unido expressou profunda dor e descrença após um juiz decidir não prender os adolescentes responsáveis pelo crime. Em entrevista exclusiva à BBC, ela descreveu a sentença como uma “pedrada no rosto”, questionando o propósito de passar por todo o sofrimento do processo judicial se os agressores, com 14 e 15 anos na época, não enfrentariam a prisão.

A decisão do juiz Nicholas Rowland, que buscou evitar a “criminalização” dos menores, foi vista pela adolescente como uma validação tácita da conduta deles. “Quase deu a impressão de que o que os meninos fizeram não era certo, mas era aceitável aos olhos da lei porque eles ainda eram crianças”, afirmou a jovem, que falou anonimamente ao lado de sua família.

A Procuradoria-Geral do Reino Unido confirmou que irá revisar a sentença, dando um prazo de 28 dias para decidir se o caso será encaminhado ao Tribunal de Apelação. A família da vítima clama por uma alteração nas sentenças, considerando as penas aplicadas como uma “palmadinha no pulso” e exigindo que os jovens agressores sejam efetivamente presos.

Adolescente Relata Trauma e Busca por Justiça Após Estupros Gravados

A vítima tinha apenas 15 anos quando foi estuprada em uma passagem subterrânea em Hampshire, no Reino Unido, em novembro de 2024. O relacionamento com um dos agressores começou via Snapchat, e a jovem viajou para encontrá-lo pela primeira vez. Os dois réus, agora também com 15 anos, foram condenados também por atacar uma segunda vítima em janeiro de 2025.

Um terceiro adolescente, com 14 anos, foi condenado por participar do segundo ataque. Os agressores, chocantemente, filmaram os estupros com seus celulares e compartilharam parte das imagens online. Durante a audiência de sentença, o juiz Nicholas Rowland reconheceu a “gravidade” dos crimes, especialmente pela filmagem, mas elogiou o comportamento dos meninos durante o julgamento.

“Por que fui lá e me submeti à dor de ir ao tribunal, passar por um julgamento, reviver tudo, assistir a tudo acontecer de novo?”, questionou a jovem à BBC. Ela expressou a sensação de que todo o seu sofrimento foi em vão, com a decisão judicial minimizando a gravidade do ocorrido. A jovem revelou que levou seis meses para conseguir falar sobre o ataque, pois estava em um processo de espiral descendente e precisava de ajuda.

Família e Autoridades Pedem Revisão Urgente das Sentenças

A mãe da vítima relatou que seu mundo “parou” ao saber do ataque e fez um apelo direto ao primeiro-ministro: “Por favor, ajude. Se fosse sua filha, sua sobrinha, seu filho, seu sobrinho, alguém da sua família, você estaria satisfeito? Porque nós não estamos”. O companheiro da mãe, presente no tribunal, sentiu-se “fisicamente mal” com a decisão, ressaltando que “parece que as vítimas são as que continuam sofrendo, enquanto os agressores aparentemente saíram impunes”.

As sentenças foram: um dos meninos de 15 anos recebeu uma ordem de reabilitação juvenil de três anos, com 180 dias de supervisão e vigilância intensivas, pelas acusações de estupro e imagens indecentes. O outro menino de 15 anos teve a mesma pena por múltiplos estupros e produção de imagens indecentes. O jovem de 14 anos recebeu uma ordem de reabilitação de 18 meses por ter incentivado um dos agressores no segundo ataque.

Políticos de diferentes espectros expressaram indignação. O deputado Robert Jenrick, do Reform UK, afirmou que “a justiça não foi feita”. A líder conservadora Kemi Badenoch declarou-se “enojada”, classificando a punição como “nenhuma punição alguma”. A Comissária para a Infância da Inglaterra, Dame Rachel de Souza, manifestou “profunda preocupação”, e um porta-voz do governo assegurou que o caso está sendo revisado com “urgência e máxima atenção”, compartilhando a “indignação pública diante dos detalhes deste caso horrível”.

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