Tarifa de 25% dos EUA Mira Aço, Suco e Máquinas Brasileiras: Entenda os Produtos Fora da Lista de Isenção e Impacto Econômico

BRASIL

Tarifa de 25% dos EUA pode afetar aço, suco e máquinas brasileiros, com exceções seletivas

O governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, anunciou a imposição de uma tarifa de 25% sobre uma gama de produtos importados do Brasil. A medida, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, visa responder a práticas comerciais brasileiras consideradas “irrazoáveis” e prejudiciais ao comércio norte-americano, segundo alegações americanas.

Apesar da sobretaxa, uma lista de exceções foi divulgada, preservando exportações cruciais como petróleo bruto, aeronaves, café e celulose. No entanto, importantes setores industriais e agroindustriais brasileiros, como o de aço semiacabado e sucos de frutas, podem ser severamente impactados pela nova política tarifária.

De acordo com informações divulgadas, a nova proposta do governo Trump pode afetar cerca de 21% das exportações brasileiras para os Estados Unidos. Essa investigação comercial, conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), levanta preocupações significativas para a balança comercial do Brasil.

Aço e Ferro-Gusa Sob Mira, com Exceções Limitadas

O setor de aço semiacabado, que representou o segundo maior item de exportação do Brasil para os EUA em 2025, com vendas de US$ 3,36 bilhões, está entre os mais vulneráveis. Produtos como lingotes e formas primárias de aço não aparecem na lista de isenções, apesar de algumas categorias específicas relacionadas ao setor siderúrgico terem sido contempladas, como ferroligas e certos tubos de aço para aviação.

O ferro-gusa, spiegel e ferro-esponja, com exportações de US$ 1,74 bilhão no ano passado, também enfrentam incertezas. Embora parte desta categoria possa se beneficiar das isenções concedidas às ferroligas, outros produtos do grupo não foram explicitamente mencionados como isentos, gerando apreensão no setor.

Sucos de Frutas e Máquinas de Construção Civil: Vulnerabilidade na Pauta Agroindustrial e Industrial

No segmento agroindustrial, os sucos de frutas e vegetais, que movimentaram US$ 1,61 bilhão em exportações para os EUA, são outro ponto de atenção. A lista de exceções inclui frutas frescas, secas e congeladas, mas não abrange os sucos industrializados, deixando um hiato significativo para este importante produto brasileiro.

Equipamentos e instalações para obras de engenharia civil, com exportações de US$ 1,38 bilhão, também podem ser afetados. Embora algumas máquinas industriais tenham sido isentas, o benefício é restrito a produtos para o setor aeronáutico, excluindo grande parte do maquinário utilizado na construção civil e infraestrutura.

Outros Produtos Brasileiros Fora das Isenções e o Impacto Geral

Diversos outros produtos com participação relevante na pauta exportadora brasileira ficaram de fora das isenções anunciadas pelos EUA. Entre eles estão cal, cimento e materiais de construção (US$ 794 milhões), máquinas de energia elétrica (US$ 660 milhões), pneus de borracha (US$ 536 milhões) e alumina (US$ 463 milhões).

Óleos e gorduras animais (US$ 450 milhões), motores de pistão e partes (US$ 435 milhões), madeira (folheados, compensados e aglomerados) (cerca de US$ 360 milhões) também não aparecem na lista de isenções, indicando um impacto amplo da nova tarifa. O ministro da Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, destacou que cerca de 25% das mercadorias brasileiras já estão sujeitas a sobretaxas pela Seção 232, que inclui aço e alumínio.

Produtos Preservados pela Tarifa Americana

Por outro lado, a lista de isenções divulgada pelo USTR protege alguns dos itens mais importantes da pauta exportadora brasileira. O petróleo bruto, principal item exportado pelo Brasil aos EUA em 2025, com vendas de US$ 4,7 bilhões, está entre os produtos que não sofrerão a nova tarifa. Aeronaves, café, carne bovina, celulose, fertilizantes, medicamentos, minério de ferro, frutas frescas e diversos produtos químicos industriais também foram incluídos na lista de exceções.

A investigação que fundamenta a tarifa de 25% se baseia em alegações americanas sobre práticas comerciais brasileiras que “oneram ou restringem” o comércio, citando o PIX, desmatamento ilegal, pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção. A decisão final sobre a tarifa ainda está sujeita a consultas públicas e audiências, com um prazo para decisão até 15 de julho de 2026.

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