Peru se prepara para segundo turno presidencial em meio a forte polarização e desafios urgentes como criminalidade e instabilidade política.
O Peru está à beira de um segundo turno presidencial que promete ser acirrado, com a direitista Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez encerrando suas campanhas na quinta-feira (4) diante de milhares de apoiadores. A eleição ocorre em um momento crítico para o país, assolado por altos índices de criminalidade e uma persistente instabilidade política, que já levou a troca de oito presidentes em apenas uma década.
Uma pesquisa recente indica um empate técnico entre os dois principais candidatos, com uma parcela significativa do eleitorado, cerca de um quinto, ainda indeciso. Essa fragmentação reflete a profunda frustração dos peruanos com a classe política, evidenciada no primeiro turno, que contou com quase trinta candidatos e foi marcado por falhas técnicas e denúncias de fraude. Juntos, Fujimori e Sánchez não alcançaram 30% dos votos iniciais, demonstrando a dispersão do eleitorado.
A falta de confiança no governo é palpável, e o próximo presidente terá a tarefa de lidar com um Congresso dividido e a desconfiança generalizada da população. A economia peruana, apesar dos desafios políticos, mantém-se estável, mas a segurança pública é uma preocupação central para os eleitores. Conforme informações divulgadas, o Peru registrou um aumento de 20% nos casos de extorsão notificados em 2025 em comparação com o ano anterior, e Lima apresentou uma taxa de 23 homicídios por 100 mil habitantes em 2025, triplicando o índice de cinco anos atrás.
Promessas de Ordem e Democracia em Meio a Acusações
Keiko Fujimori, filha do ex-presidente autocrático Alberto Fujimori, pediu o voto para “evitar o caos e o retrocesso”, prometendo um governo que traga paz e restaure a ordem. “Queremos um governo de confiança”, declarou a candidata de 51 anos, que disputa a presidência pela quarta vez. Seus apoiadores expressam o temor de que uma vitória da esquerda possa levar o Peru a um cenário semelhante ao da Venezuela ou Cuba, com gritos de “Não podemos deixá-los vencer com o comunismo e o terrorismo”.
Sánchez Propõe Mudança Radical e Fim da Corrupção
Em contrapartida, Roberto Sánchez, deputado e ex-ministro de 57 anos, que usa um chapéu de camponês em referência ao ex-presidente Pedro Castillo, preso por tentativa de autogolpe, prometeu “democracia” e o fim do “caos, da ‘Sra. K’, dos assassinatos, da corrupção e da impunidade”. Ele se apresenta como a voz dos eleitores pobres e das áreas rurais, propondo uma “mudança radical” e atribuindo a instabilidade ao Parlamento e às elites. Para combater a criminalidade, Sánchez propõe a “morte civil” para os corruptos, impedindo-os permanentemente de ocupar cargos públicos.
Cansados da Turbulência, Eleitores Buscam Estabilidade
A população peruana demonstra cansaço com a turbulência política. “Todos esses anos foram caóticos. Esta será a quarta derrota de Keiko. Vivi a era de seu pai, que foi marcada pela corrupção total”, disse Cristina Sotomayor, 63 anos, apoiadora de Sánchez. A preocupação com a segurança é um tema recorrente. “O dia a dia no Peru pode ser aterrorizante: há muita criminalidade e muitos assassinatos. Extorsões, homicídios, cobranças de ‘taxas de proteção’”, relatou Raúl Porras, 52 anos, agricultor. Cerca de 27 milhões de peruanos estão convocados a votar em um país onde o voto é obrigatório.
Desafios Econômicos e Sociais para o Próximo Governo
Apesar da instabilidade política, a economia peruana tem se mantido estável. No entanto, o próximo presidente enfrentará um Congresso fragmentado e a profunda desconfiança da população. A promessa de Keiko Fujimori de uma postura firme contra a insegurança e a proposta de Roberto Sánchez de combater a corrupção e promover a democracia são as bandeiras que buscam conquistar os eleitores em meio a um cenário de grande incerteza e polarização.
