Ministério da Saúde Destina Verba Significativa para Assistência a Dependentes de Jogos, Incluindo Expansão do Teleatendimento e Pesquisa Inédita.
O governo federal anunciou um robusto plano de investimento para reforçar o combate à dependência de apostas, com um aporte de 70 milhões de reais direcionado à Rede de Atenção Psicossocial (Raps) até o final de 2026. O objetivo principal é ampliar o acesso a tratamentos, especialmente por meio de teleatendimento, como telefone e videochamadas, oferecendo suporte especializado a jogadores compulsivos.
Essa iniciativa do Ministério da Saúde visa fortalecer a rede de apoio psicossocial, com foco na contratação de empresas especializadas via Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS). O serviço de teleatendimento, lançado em março em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, já demonstra resultados significativos, com 6.912 usuários cadastrados em apenas três meses de operação, evidenciando a crescente demanda por esse tipo de assistência.
Conforme informação divulgada pela Agência Brasil, a expansão do atendimento é complementada por um investimento de 6 milhões de reais em uma pesquisa nacional pioneira. Esta pesquisa inédita buscará identificar os grupos mais vulneráveis aos riscos dos jogos de azar à saúde e entender melhor o perfil da dependência. Os recursos para estas importantes ações são parcialmente custeados pela destinação social de 1% da arrecadação de tributos sobre apostas, que totalizou 45,7 milhões de reais para a pasta em 2025, sendo complementado por verbas do próprio orçamento.
Pesquisa Nacional e Financiamento Detalhado para o Tratamento da Dependência de Jogos
A pesquisa nacional inédita, com um investimento de 6 milhões de reais, será fundamental para direcionar as políticas públicas de saúde mental. O objetivo é compreender profundamente os fatores de risco e as populações mais suscetíveis à dependência de jogos, permitindo a criação de estratégias de prevenção e intervenção mais eficazes. O Ministério da Saúde ressalta que o financiamento dessas ações é complementado por verbas de seu próprio orçamento, uma vez que os custos totais da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) alcançaram aproximadamente 2,5 bilhões de reais em 2025.
Como Acessar o Teleatendimento e Dados Alarmantes sobre o Jogo Patológico
O acesso ao serviço de teleatendimento para dependência de apostas é facilitado pelo aplicativo Meu SUS Digital. Nele, os usuários podem encontrar conteúdos informativos e realizar um autoteste para avaliar seu nível de risco. Casos que apresentem risco moderado ou elevado são automaticamente encaminhados para o teleatendimento. Para aqueles com menor risco, o aplicativo oferece orientações para buscar apoio em Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou Centros de Atenção Psicossocial (Caps).
A Ouvidoria do SUS também está disponível para oferecer suporte através do telefone 136. Dados recentes do Ministério da Saúde apontam um crescimento expressivo no número de atendimentos pelo SUS relacionados a casos de jogo patológico. Entre janeiro de 2018 e maio de 2025, houve um aumento de 104%, totalizando 10.553 ocorrências registradas. A prevalência dessa dependência é maior entre homens com idade entre 20 e 49 anos.
Medidas Complementares e Plataformas de Apoio Contra o Jogo Compulsivo
Como uma medida complementar e de prevenção, o governo lançou em dezembro de 2025 a Plataforma Centralizada de Autoexclusão. Essa ferramenta já foi responsável por bloquear o acesso de mais de 500 mil pessoas a sites de apostas, demonstrando seu impacto na redução da exposição ao jogo. Além disso, foi publicado um Guia de Cuidado específico para o tratamento de pessoas afetadas pelo jogo, oferecendo diretrizes importantes para profissionais de saúde e familiares.
A expansão da assistência e o investimento em pesquisa refletem um compromisso do Ministério da Saúde em lidar com os desafios crescentes da dependência de apostas. A iniciativa visa não apenas tratar os casos existentes, mas também prevenir novos episódios, promovendo a saúde mental e o bem-estar da população brasileira.
