Cofundador da Fatal Fans detalha plano para popularizar conteúdo adulto através do Corinthians, gerando polêmica
A entrada da Fatal Fans, plataforma de conteúdo adulto, como patrocinadora do Corinthians tem gerado intenso debate no Brasil. O cofundador e diretor de negócios da Atlas Technologies, empresa dona da marca, Samuel Ongaratto, revelou em entrevista que o objetivo principal é “naturalizar” a presença de conteúdo adulto no cotidiano dos brasileiros.
Segundo Ongaratto, a estratégia de estampar a marca em um clube de prestígio como o Corinthians visa transferir credibilidade à Fatal Fans “por osmose”. Ele argumenta que a associação com marcas confiáveis no esporte pode fazer com que potenciais usuários se sintam mais seguros para acessar a plataforma, superando receios como o de contrair vírus em seus computadores.
A afirmação de Ongaratto foi divulgada após o acordo milionário entre o Corinthians e a Fatal Fans, que prevê o patrocínio até 2027. O contrato, avaliado em R$ 22 milhões, surge em um momento de crise financeira para o clube, mas também acende um alerta sobre os limites da publicidade no esporte e a proteção de crianças e adolescentes expostos ao universo do futebol, conforme informações divulgadas pela Folhapress.
A estratégia de “naturalização” e a busca por credibilidade
Samuel Ongaratto explicou que o investimento no Corinthians vai além de um cálculo de retorno financeiro direto. “Se fizermos um cálculo do retorno deste investimento, não há conta que o justifique”, disse ele, indicando que a valorização da marca e a quebra de tabus são os verdadeiros motores da ação.
A Fatal Fans opera de forma similar ao OnlyFans, com usuários assinando perfis de criadores de conteúdo adulto, enquanto a empresa retém uma porcentagem das transações. A Atlas Technologies informa que o site conta com cerca de 30 mil criadores e atrai 7 milhões de visitas mensais. A Fatal Models, outra plataforma da empresa, que reúne perfis de acompanhantes, já patrocinou outros clubes e projeta faturar R$ 180 milhões em 2026.
Críticas e preocupações com a exposição de menores
Apesar das justificativas de Ongaratto, o patrocínio tem sido alvo de fortes críticas. A principal delas reside na exposição de milhões de crianças e adolescentes, que acompanham o Corinthians, a uma marca ligada a conteúdo adulto. Essa preocupação motivou representações ao Ministério Público de São Paulo e o protocolo de projetos de lei para proibir publicidade do setor em espaços públicos e eventos esportivos.
Deputadas como Maria Helou (PSOL), Sâmia Bonfim (PSOL-SP) e Tábata Amaral (PSD-SP) são autoras de iniciativas que visam coibir esse tipo de publicidade, fundamentadas em artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que tratam da proteção contra conteúdos inadequados.
Respostas da empresa e do clube
Em sua defesa, Ongaratto minimiza os riscos, afirmando que se preocuparia mais com comportamentos inadequados de adultos em estádios do que com a exposição a uma propaganda. Ele sustenta que a publicidade da Fatal Fans não é direcionada a crianças, não contém sensualização e não é imprópria, seguindo uma política de não convidar para o acesso ao site ou objetificar corpos.
O Corinthians, por sua vez, declarou em nota que se certificou da conformidade da Fatal Fans com o ECA Digital antes de fechar o contrato, garantindo que o acesso ao conteúdo é restrito a maiores de idade com verificação de CPF. O clube também assegurou que não haverá comunicação ativa convidando para o site nem publicidade com conotação de objetificação ou erotização.
Debate sobre regulamentação e responsabilidade
Ongaratto defende um debate sobre regras específicas para a publicidade do setor, similar à regulamentação das casas de apostas, em vez de proibições. Ele também abordou a questão do consumo compulsivo de pornografia, admitindo que a empresa ainda não desenvolveu políticas específicas para usuários com comportamento problemático, mas considera o tema relevante e que a discussão “carece de mais debate dentro da empresa”.
O executivo também destacou o trabalho da empresa em reduzir o estigma em torno de profissionais do sexo e criadores de conteúdo adulto, defendendo a legitimidade e o papel social dessas profissões. Ele inclusive afirmou que respeitaria e apoiaria a decisão de suas filhas caso escolhessem seguir carreiras nessa área, garantindo as melhores recomendações para que atuem com segurança e sucesso.
