Médica que matou filhos pesquisou sobre psicose e efeitos de remédios; defesa alega transtorno mental

BRASIL

Julgamento de Lindsay Clancy revela buscas sobre saúde mental e doenças psiquiátricas antes da morte dos filhos

Semanas antes de cometer o ato que chocou os Estados Unidos em janeiro de 2023, a médica Lindsay Clancy realizou diversas pesquisas online sobre alucinações, psicose e os efeitos colaterais de medicamentos que estava utilizando. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (13) com a apresentação da análise do celular da acusada durante o seu julgamento por assassinato. Clancy é acusada de estrangular seus três filhos, em um caso que levanta debates sobre saúde mental e a responsabilidade criminal.

A promotoria sustenta que os crimes foram planejados, enquanto a defesa argumenta que Lindsay Clancy agia sob efeito de transtorno bipolar e psicose pós-parto. As descobertas do celular, segundo o g1, adicionam complexidade ao caso, mostrando um padrão de buscas que podem indicar um estado mental alterado ou uma tentativa de compreensão de sua condição.

O julgamento tem atraído grande atenção pública, com transmissão ao vivo e cobertura intensa da mídia. As evidências apresentadas, como as mensagens trocadas com o marido e os bilhetes escritos por Clancy, buscam construir um quadro detalhado dos eventos que antecederam a tragédia. O desfecho poderá ter implicações significativas sobre como casos semelhantes envolvendo saúde mental e crimes graves serão tratados judicialmente.

Buscas por suicídio e transtornos mentais no celular de Clancy

Dados extraídos do celular de Lindsay Clancy revelaram que, no final de dezembro de 2022, ela pesquisou sobre métodos de suicídio, transtorno bipolar e insônia. Já em janeiro de 2023, as buscas se voltaram para a depressão pós-parto. Em outubro de 2022, a médica havia escrito um bilhete expressando dúvidas sobre suas escolhas como mãe, questionando a interrupção da amamentação do filho mais novo e repensando planos de ter um quarto filho.

Defesa aponta transtorno bipolar e psicose pós-parto como causas

A defesa de Lindsay Clancy, ex-enfermeira obstétrica de 36 anos, alega que ela sofria de transtorno bipolar e psicose pós-parto. Um psiquiatra forense diagnosticou Clancy com essas condições após os assassinatos. A psicose pós-parto é descrita como uma condição rara que pode afetar a percepção de realidade das mulheres após o nascimento de um filho. Os advogados sustentam que Clancy não deve ser responsabilizada criminalmente, pois acreditava ouvir vozes que a ordenavam a tirar a vida dos filhos e a sua própria.

Promotoria alega premeditação e planeamento do crime

Em contrapartida, a promotoria argumenta que os crimes foram premeditados. Segundo os promotores, Clancy teria orquestrado a ausência do marido de casa no dia 24 de janeiro de 2023, pedindo que ele comprasse comida e fosse à farmácia, antes de estrangular as crianças com faixas elásticas de exercício. A promotora Shanan Buckingham pediu ao júri que o caso não seja tratado apenas como um debate sobre saúde mental feminina, mas sim com foco na premeditação.

Clancy buscou ajuda médica e psiquiátrica antes da tragédia

A defesa detalhou que Clancy buscou ajuda profissional de diversas formas antes da tragédia. Ela consultou vários profissionais de saúde mental, testou diferentes medicamentos prescritos, ligou para uma linha de apoio a pessoas em crise, foi a um pronto-socorro e tentou, sem sucesso, uma vaga em um programa hospitalar intensivo para mulheres com problemas psiquiátricos pós-parto. Chegou também a se internar voluntariamente em uma clínica psiquiátrica por alguns dias. Segundo a família e os advogados, o quadro de Clancy piorou com a combinação de remédios psiquiátricos prescritos, alguns considerados problemáticos para pacientes bipolares.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *