Professor Negro Mais Jovem de Cambridge Encontrado Morto Após Acusações de Plágio e Dúvidas Sobre Trajetória

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Professor Negro Mais Jovem de Cambridge Encontrado Morto Após Acusações de Plágio

O renomado sociólogo britânico Jason Arday, que se tornou o professor negro mais jovem da Universidade de Cambridge em 2023, foi encontrado sem vida nesta sexta-feira (14), em Londres. Arday, que tinha 41 anos, havia renunciado ao seu cargo de professor de sociologia da educação na semana anterior, após semanas de intensas acusações públicas de plágio e questionamentos sobre suas conquistas esportivas e arrecadações para caridade.

A notícia de sua morte chocou a comunidade acadêmica e o público em geral. Arday sempre negou veementemente as acusações de plágio, embora tenha admitido ter cometido alguns equívocos durante a elaboração de seu doutorado. A família do professor expressou profundo pesar e descreveu a situação como uma campanha de desinformação que afetou profundamente Jason.

Mais de 20 acadêmicos e políticos que o apoiavam classificaram as acusações como uma “campanha difamatória” com o objetivo de prejudicar Arday e outras figuras negras em posições de destaque. A polícia metropolitana de Londres confirmou a morte de um homem de 41 anos, mas afirmou que as circunstâncias não são consideradas suspeitas. Conforme informações divulgadas pela BBC e outros veículos britânicos, Arday foi encontrado desacordado em uma residência em Battersea, no sul de Londres.

Renúncia e Controvérsias na Trajetória de Arday

A saída de Jason Arday da Universidade de Cambridge ocorreu após uma série de alegações que abalaram sua reputação. Em seu comunicado de renúncia, Arday declarou que as “acusações incessantes, as especulações e os comentários públicos tiveram um impacto profundo sobre mim e sobre as pessoas que amo”. Ele enfatizou que sua saída não deveria ser interpretada como uma admissão de culpa.

A ascensão de Arday à universidade em 2023 foi marcada por sua inspiradora trajetória pessoal. Ele compartilhava ter superado dislexia, atrasos no desenvolvimento e autismo, condições que, segundo ele, o levaram a permanecer sem falar até os 11 anos e a só aprender a ler e escrever no final da adolescência. Essa narrativa de superação, no entanto, passou a ser questionada.

Investigações e Apoio da Comunidade Acadêmica

As dúvidas sobre as qualificações de Arday ganharam força em julho passado, após serem levantadas por Nathan Cofnas, ex-pesquisador de filosofia de Cambridge. Uma análise da tese de doutorado de Arday, apresentada em 2015, revelou trechos idênticos ou muito similares aos de um artigo publicado anteriormente por outro pesquisador, conforme noticiado pelo jornal “The Times”.

Além disso, a imprensa britânica questionou as afirmações de Arday sobre ter arrecadado 5,5 milhões de libras (aproximadamente R$ 38,8 milhões) para instituições de caridade através de desafios esportivos, incluindo correr 30 maratonas em 35 dias. Dezenas de acadêmicos de Cambridge assinaram uma carta pedindo uma investigação independente sobre a contratação de Arday.

Inicialmente, a universidade defendeu Arday, citando investigações anteriores da Liverpool John Moores University, que concedeu seu doutorado. Contudo, após receber novas informações, Cambridge anunciou a abertura de sua própria investigação. A vice-reitora da universidade, Deborah Prentice, expressou profunda tristeza com a morte e afirmou que a instituição revisará seus processos de contratação, ressaltando o valor dos funcionários negros e de minorias étnicas.

Declaração da Família e da Universidade

A família de Jason Arday divulgou um comunicado em choque pela perda: “Estamos em choque por ter perdido esse pai, companheiro, irmão, tio e filho incrível. A campanha de desinformação foi demais para Jason, que era um homem gentil e sempre queria enxergar o melhor nas pessoas”. Eles relataram que Arday foi alvo de uma “campanha contínua de ataques” por três anos.

A vice-reitora de Cambridge, Deborah Prentice, emitiu uma nota lamentando a morte e oferecendo condolências à família e amigos. Ela reforçou que os funcionários negros e de outras minorias étnicas são “altamente valorizados” pela universidade e que este caso específico é uma exceção, não devendo lançar dúvidas sobre o trabalho e a legitimidade dessas pessoas na instituição.

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