Armênia, Colômbia: Da Devastação de 1999 à Resiliência em Novo Terremoto
Há 27 anos, a cidade de Armênia, na Colômbia, foi palco de um dos terremotos mais mortais da história do país. Em 1999, a terra tremeu com força avassaladora, deixando um rastro de destruição e centenas de vidas perdidas. Quase três décadas depois, a mesma região foi atingida por um novo abalo sísmico, mas a resposta da cidade e de seus habitantes foi drasticamente diferente.
A experiência traumática de 1999 marcou profundamente os moradores de Armênia. Vanessa Porras, que tinha apenas cinco anos quando sua casa desabou, relembra o desespero de não encontrar sua irmã mais nova sob os escombros. A memória daquele dia, com o chão tremendo e a casa se desfazendo, permaneceu viva em sua mente.
No entanto, o recente terremoto, apesar de ter magnitude maior, não causou o mesmo nível de devastação. A cidade, que aprendeu com a dor do passado, demonstrou uma notável capacidade de resiliência. Este contraste é um testemunho da reconstrução planejada e da aplicação de novas normas de segurança, conforme informações divulgadas pela BBC News Mundo.
O Legado do Terremoto de 1999: Uma Cicatriz e um Aprendizado
O terremoto de 25 de janeiro de 1999, com magnitude 6,1, devastou Armênia, capital do Departamento de Quindío. O sismo, que ocorreu a apenas 10 km de profundidade e com o epicentro praticamente sob a cidade, causou a morte de 971 pessoas. Vanessa Porras descreveu como sua família correu para a rua, mas sua irmã mais nova, Angie, ficou presa sob os escombros. Um tremor secundário, que derrubou as poucas construções remanescentes, ironicamente, ajudou a salvar a vida de Angie, ao mover os escombros e permitir que fosse ouvida e resgatada.
Resiliência em 2026: A Ciência por Trás da Resistência
O terremoto mais recente, com magnitude 7,4, ocorreu a uma profundidade de 107 km e com epicentro em San José del Palmar, a cerca de 70 km de Armênia. Essa diferença na profundidade e na localização do epicentro, segundo geólogos, explica em parte por que o tremor mais forte causou menos destruição em Armênia. Terremotos mais rasos e próximos tendem a ser mais destrutivos, como foi o caso de 1999.
Federico Alejandro Núñez, engenheiro civil e professor da Universidade Javeriana, em Bogotá, ressalta que o objetivo dos códigos de construção não é impedir que algo aconteça com a casa, mas sim salvar vidas. Ele aponta que, embora as fachadas e paredes tenham sido afetadas no tremor mais recente, nenhum edifício desabou, cumprindo o propósito das normas sismo-resistentes.
O Contraste com Pereira e a Importância dos Códigos de Construção
O contraste entre Armênia e a cidade vizinha de Pereira, que sofreu danos mais significativos e registrou dezenas de vítimas fatais no terremoto recente, destaca a importância da qualidade da construção e das características do solo. Pereira, com edifícios mais antigos e possivelmente construídos sobre solos moles que amplificam as ondas sísmicas, mostrou-se mais vulnerável.
Após a tragédia de 1999, Armênia foi reconstruída do zero, com a implementação rigorosa do Regulamento Colombiano de Construção Sismo-Resistente NSR-10 em 2010. Esse regulamento, que continua em vigor, foca na segurança das pessoas. Claudia Arenas, engenheira civil do município, relatou a emoção de ver que, em uma simulação recente em uma escola, os alunos aplicaram corretamente os procedimentos de segurança durante o tremor, resultando em nenhuma criança ferida.
Armênia: Um Exemplo de Reconstrução e Conscientização
A cidade de Armênia se tornou um exemplo de como uma comunidade pode se reerguer após uma catástrofe. A engenheira Claudia Arenas enfatiza que a preparação e a conscientização sobre a importância de viver em locais seguros foram fundamentais. A capacidade de inspecionar rapidamente edifícios com um sistema de semáforo (verde, laranja e vermelho para habitável, habitável com restrições e inabitável) agiliza o retorno seguro das famílias às suas casas.
A experiência de Arenas, que ajudou na reconstrução após 1999, contrasta com o trabalho atual, onde a preparação e a consciência são evidentes. “A diferença é enorme agora que estamos mais preparados e criamos consciência entre nós”, afirma ela. Armênia demonstra que, mesmo em áreas de risco sísmico, é possível construir um futuro mais seguro através do aprendizado e da aplicação de normas rigorosas.
