Trump e Canadá em rota de colisão: Tarifa de 50% gera retaliação e acirra guerra comercial
As negociações comerciais entre Estados Unidos e Canadá chegaram a um ponto crítico neste fim de semana, com o presidente Donald Trump elevando o tom e impondo tarifas de 50% sobre produtos canadenses. A medida, anunciada após o fracasso das conversas, provocou uma resposta imediata do Canadá, que prometeu retaliação na mesma moeda.
A escalada na disputa comercial ocorre poucos dias após sinais de progresso, que haviam gerado otimismo. No entanto, as divergências se mostraram intransponíveis, levando à imposição das tarifas americanas e à subsequente promessa de retaliação canadense, aumentando a incerteza para as relações econômicas entre os dois vizinhos.
O impasse coloca em risco o futuro do acordo comercial entre Estados Unidos, Canadá e México, com o Canadá, altamente dependente do mercado americano, em posição particularmente vulnerável. Conforme informação divulgada pelo governo americano, as tarifas de 50% incidem sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses.
EUA impõem tarifas e acusam Canadá de “insensatez”
Donald Trump, em declarações neste domingo, criticou duramente o Canadá, afirmando que o país quer “os benefícios de ser um Estado, sem ser um”. Ele concluiu a crítica com um enfático “Chega!”. A Casa Branca, por meio do secretário de Transportes, Sean Duffy, classificou como “insensato” o pensamento canadense de que poderiam vencer uma guerra comercial contra os Estados Unidos, prevendo consequências “devastadoras”.
As tarifas americanas, que entraram em vigor no sábado (22), foram uma resposta direta ao fracasso das negociações. Os EUA alegam que o Canadá recusou a proposta final, que, segundo Washington, teria reduzido substancialmente as tarifas e oferecido melhores condições de acesso ao mercado americano.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, por outro lado, adotou um tom desafiador. Ele declarou que o Canadá foi “atacado” e que responderá com tarifas “dólar por dólar” sobre produtos americanos a partir de 8 de setembro. A decisão de retaliação foi anunciada após Carney rejeitar o que chamou de “mau acordo” oferecido por Washington.
Causas do Fracasso: Barreiras e Exigências Americanas
Segundo o governo canadense, os avanços nas negociações não foram suficientes para atender aos interesses do Canadá. Mark Carney revelou que os Estados Unidos tentaram incluir cláusulas que limitariam a capacidade canadense de firmar futuros acordos comerciais com outros países, um ponto considerado inaceitável.
As negociações envolveram uma complexa gama de temas, incluindo tarifas sobre aço, alumínio e automóveis, acesso ao mercado de laticínios, aves e ovos, compras governamentais, bebidas alcoólicas, serviços digitais, propriedade intelectual, agricultura e preços de medicamentos. A Seção 232 da legislação comercial americana, que permite tarifas por motivos de segurança nacional, também foi um ponto de atrito significativo.
O primeiro-ministro canadense também apontou que algumas exigências americanas poderiam ameaçar a língua francesa e a cultura de Quebec, citando discussões sobre subsídios à produção cultural francófona, presença de mídia em francês em plataformas digitais e obrigatoriedade de rotulagem bilíngue.
Pontos de Atrito Histórico entre EUA e Canadá
A disputa atual reflete uma série de conflitos comerciais de longa data entre os dois países. Relatórios do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) já haviam destacado diversas áreas de divergência, como o sistema canadense de controle de produção de leite, aves e ovos, e a preferência por empresas canadenses em contratos públicos.
Outros pontos de atrito incluem as barreiras para vinhos, cervejas e destilados, impostos sobre serviços digitais, regras para serviços de streaming, lentidão no registro de sementes e grãos americanos, proteção à propriedade intelectual, fiscalização contra trabalho forçado, o mercado de energia em Alberta e a revisão de preços de medicamentos patenteados.
A escalada tarifária entre Estados Unidos e Canadá representa uma nova deterioração nas relações bilaterais e lança uma sombra sobre o futuro do acordo comercial trilateral. O Canadá, com cerca de 70% de suas exportações destinadas aos EUA, é particularmente sensível a essas tensões comerciais.
