Rússia se prepara para nova fase na guerra com aumento de efetivo e produção bélica, segundo Ucrânia
O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, revelou neste domingo (23) que a Rússia iniciará em setembro um plano ambicioso para expandir seu contingente militar, visando recrutar 300 mil novos soldados. A estratégia, segundo ele, focará em regiões remotas do território russo e tem como objetivo final atingir a marca de 500 mil militares.
As tropas russas têm demonstrado um avanço gradual no leste da Ucrânia, especialmente na região de Donbas, após meses de estagnação no conflito que já se estende por quase quatro anos e meio. A nova leva de recrutamento, conforme Zelensky, deve começar após as eleições parlamentares russas, marcadas para meados de setembro.
O líder ucraniano também apontou para um aumento significativo na produção de mísseis por parte da Rússia, que busca compensar as perdas e intensificar a ofensiva. Essas informações foram divulgadas em declarações à imprensa neste domingo, conforme apurado por fontes jornalísticas.
Novo Recrutamento e Meta de 500 Mil Militares
Zelensky detalhou que a Rússia planeja chamar de volta mais soldados em 2027, como parte de uma estratégia de “mobilização periférica”. Essa mobilização, segundo o presidente ucraniano, será direcionada para as regiões mais distantes da Rússia, evitando, inicialmente, as grandes cidades centrais. “Acreditamos que isso não ocorrerá nas cidades centrais”, afirmou Zelensky, mas acrescentou que “não acho que eles consigam esconder isso muito bem”.
Intensificação da Produção de Mísseis
Além do aumento no número de soldados, Zelensky indicou que a Rússia está intensificando sua capacidade de produção de mísseis. O objetivo seria desenvolver a capacidade de produzir até **1.300 mísseis balísticos por ano**. Essa medida surge em um contexto de guerra aérea cada vez mais intensa contra cidades ucranianas, e em meio a uma escassez crítica de mísseis interceptadores Patriot para a Ucrânia.
O presidente ucraniano comentou que os 264 interceptores Patriot esperados para 2026 representam uma queda considerável em comparação com os 364 recebidos em 2025 e os 675 de 2023. A Rússia, por sua vez, busca fortalecer sua ofensiva com um arsenal mais robusto.
Ofensiva Russa e Contra-ataques Ucranianos
As forças russas têm se concentrado em capturar o restante da região industrializada de Donbas, no leste ucraniano. Zelensky mencionou que a Rússia está enfrentando um número “máximo” de perdas de soldados em sua tentativa de avançar. Ele também celebrou os recentes progressos das tropas de Kiev no sudeste da Ucrânia, indicando que a extensão do território recuperado em 2026 será comparável à área ocupada pela Rússia.
Em resposta, a Ucrânia intensificou, ao longo do verão, uma campanha de ataques com drones contra infraestruturas econômicas russas, incluindo refinarias de petróleo e armazéns. A Ucrânia alega que essas ações visam desmantelar a base de apoio ao esforço de guerra russo.
Reação Russa a Ataques Econômicos
O presidente russo, Vladimir Putin, reagiu às ações ucranianas, declarando no sábado que Kiev havia aberto a “caixa de Pandora” ao atacar alvos econômicos. Putin afirmou que a Rússia retaliaria contra os “setores econômicos mais sensíveis” da Ucrânia, sinalizando uma escalada nas tensões e possíveis retaliações futuras.
