Irã Ameaça Países Vizinhos com ‘Consequências’ por Aderirem à Pressão Econômica dos EUA

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Teerã reage às sanções americanas com advertências a aliados regionais, que buscam alternativas econômicas e de segurança.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou nesta segunda-feira (24) que países vizinhos que se alinharem à campanha de pressão econômica dos Estados Unidos contra Teerã poderão enfrentar “consequências”. A declaração surge em meio a um aumento das tensões e sanções impostas por Washington.

O porta-voz do ministério, Esmaeil Baqaei, foi enfático durante sua coletiva de imprensa semanal. Ele afirmou que “as advertências necessárias definitivamente já foram apresentadas”, sublinhando que qualquer colaboração com os EUA em suas ações contra o Irã terá “suas próprias consequências”.

Essa postura do governo iraniano se dá após o presidente do Parlamento, Mohammad Ghalibaf, ter revelado no último sábado (22) que o Irã recebeu mensagens de nações vizinhas interessadas em firmar “novos acordos de segurança e cooperação econômica”. Ghalibaf atribuiu esses contatos às ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de punir países que continuassem a negociar com o Irã.

Vizinhos Buscam Fortalecer Laços em Meio à Pressão Americana

Em suas redes sociais, Ghalibaf detalhou que os países vizinhos demonstraram preocupação com a segurança regional, que estaria sendo colocada em risco pela política americana de “intimidação” e “desrespeito aos seus interesses” em favor de Israel. Essa percepção de instabilidade teria levado à busca por novos arranjos regionais.

Um exemplo concreto dessa cooperação é a recente permissão concedida pelo Irã para que petroleiros do Iraque atravessem o Estreito de Ormuz. Conforme noticiado pela mídia estatal iraniana no sábado, essa autorização especial foi um dos principais pedidos feitos por Bagdá durante a visita de Ghalibaf ao Iraque.

O presidente iraquiano, Nizar Amedi, confirmou a facilitação da passagem de navios iraquianos pelo Estreito, um ponto crucial para o comércio de petróleo do Iraque, que antes da guerra produzia cerca de 4 milhões de barris diários e é um dos países mais afetados por qualquer restrição na região.

A “Guerra Econômica” de Trump Contra o Irã

A intensificação das sanções foi anunciada por Donald Trump na quarta-feira (19), descrita por ele como a “operação econômica mais esmagadora” já realizada contra um país. Trump expressou o desejo de que todos os aliados dos EUA trabalhem para “isolar” e “derrotar” a “ameaça iraniana”, ameaçando com punições qualquer nação que auxilie a economia do Irã a se manter ativa.

Em resposta, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, classificou o que chamou de “Dia D Econômico” dos EUA como uma distração para os problemas internos americanos. Ele alertou que a pressão adicional “fracassaria”, resultando em “mais derrota” para os Estados Unidos.

Resiliência Econômica Iraniana Diante das Sanções

A economia do Irã tem sofrido com sanções e bloqueios navais, dificultando a exportação de petróleo, sua principal fonte de receita. No entanto, o país, acostumado a enfrentar sanções ocidentais por anos, desenvolveu estratégias para contorná-las parcialmente.

“A capacidade de resistência do Irã não apenas evita o colapso, como também impede que o sofrimento econômico se traduza na pressão política e nas mudanças que os EUA esperam”, avalia Hadi Kahalzadeh, especialista em economia iraniana da Universidade Brandeis. Essa resiliência sugere que as táticas americanas podem não atingir os resultados esperados por Washington.

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