Dr. Fernando Máximo, candidato ao Senado, questiona estudos sobre intoxicação por mercúrio e defende o garimpo
O candidato ao Senado, Dr. Fernando Máximo (PL), gerou polêmica ao classificar como “falácias” as pesquisas e estudos que apontam a intoxicação por mercúrio em peixes e pessoas como consequência da atividade garimpeira nos rios da Amazônia. A declaração foi feita durante entrevista ao telejornal Bom Dia Rondônia, nesta sexta-feira (4).
Máximo afirmou que a ideia de que “pessoas estão morrendo e que não tem peixe mais por causa do mercúrio” é equivocada. Segundo ele, os garimpeiros utilizam um “sistema fechado” e “praticamente não jogam mercúrio no rio”, justificando que o elemento é “caro e raro”.
As declarações do candidato contrastam com informações do Ministério da Saúde, que reconhece o mercúrio como uma substância de elevada toxicidade, com potencial para causar efeitos adversos à saúde humana, especialmente neurológicos. A Rede Amazônia tem realizado entrevistas com os principais candidatos ao Senado na região, buscando ampliar o debate sobre temas relevantes para a população.
Defesa da legalização do garimpo e críticas à fiscalização
Durante a entrevista, Dr. Fernando Máximo defendeu abertamente a legalização do garimpo. Ele declarou que “nunca viu casos de morte ou intoxicação de mercúrio dentro dos hospitais”, reforçando sua tese de que os estudos sobre o tema seriam exagerados. O candidato também criticou veementemente a atuação dos órgãos de fiscalização.
Máximo expressou desaprovação pela destruição de equipamentos utilizados em atividades de garimpo, como dragas e balsas, e também pela apreensão de máquinas de madeireiros e caminhões. “Temos que explorar sim, mas cuidando do meio ambiente. Mas sem esses exageros, sem estar explodindo dragas e balsas. Queimar máquinas dos madeireiros, caminhões. Gente, que absurdo que é isso”, opinou.
Críticas à atuação internacional e “guerra comercial”
O candidato também direcionou críticas a instituições internacionais que promovem a proteção da Amazônia. Segundo Dr. Fernando Máximo, a “pressão” pela preservação da floresta não teria como objetivo principal a proteção ambiental, mas sim “resguardar os mercados agrícolas”.
Ele classificou essas ações como “guerra comercial”, afirmando que “não tem nada a ver com proteção do meio ambiente”. Essa visão sugere uma interpretação econômica e competitiva por trás das iniciativas de conservação ambiental na região amazônica.
Posição sobre regulamentação de redes e liberdade de expressão
Em outro ponto da entrevista, Dr. Fernando Máximo abordou o debate em torno do Projeto de Lei 2628, que visa proteger crianças e adolescentes na internet. O texto propõe regras mais rigorosas contra a sexualização infantil e a disseminação de conteúdos nocivos.
O candidato foi questionado sobre propostas de alteração apresentadas por ele, que, segundo reportagem do Intercept Brasil, visariam suavizar obrigações e punições para empresas de tecnologia. Máximo declarou ser “contra o projeto”, argumentando que ele representa “uma tentativa muito grande de cercear a liberdade de expressão das pessoas no Brasil” e que ele é “completamente contra” qualquer forma de “censura”.
