AfD reivindica direito de governar após projeções na Saxônia-Anhalt, mas caminho para o poder é incerto
A Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema direita, declarou ter recebido um “mandato para governar” a Saxônia-Anhalt após o resultado das projeções eleitorais. Lideranças da sigla comemoraram o desempenho, que, segundo eles, representa um marco e um recado direto ao governo federal.
A AfD aparece com cerca de 44% dos votos, mais que o dobro da CDU, partido do atual chanceler. No entanto, mesmo com essa expressiva votação, as projeções de cadeiras indicam que a legenda ficaria com 39 assentos no Parlamento estadual, três a menos do que o necessário para ter maioria absoluta e governar de forma independente.
Apesar da margem apertada para a maioria absoluta, a copresidente nacional da AfD, Alice Weidel, afirmou que o partido recebeu um “mandato claro” e que pretende dialogar com outras siglas. Ulrich Siegmund, principal candidato do partido no estado, reforçou a ideia de um “sinal” ao governo federal e declarou que a AfD está aberta a negociações, mas sem abrir mão de suas posições centrais.
AfD busca “diplomacia sensata” e rejeita “barreira” contra extrema-direita
Siegmund também mencionou que o resultado eleitoral confere ao partido um mandato para defender uma “diplomacia sensata” tanto com a Rússia quanto com os Estados Unidos. Ele garantiu que a legenda “não vai abrir mão de suas posições básicas apenas para chegar ao poder”, enfatizando a importância de manter a integridade ideológica.
Outro dirigente nacional da AfD, Tino Chrupalla, interpretou o resultado como uma rejeição dos eleitores à política de “barreira” dos principais partidos alemães, que se recusam a cooperar com a extrema direita. Segundo a Reuters, Chrupalla afirmou à ARD que os eleitores deram um “veredicto claro” contra essa estratégia de isolamento.
Oposição fecha portas e formação de governo fica indefinida
Em contrapartida, a CDU, partido conservador, já sinalizou que não fará acordos com a AfD para formar o próximo governo estadual. Sven Schulze, atual chefe do governo da Saxônia-Anhalt e candidato da CDU, reconheceu a vontade dos eleitores, mas reafirmou a posição de sua legenda.
Schulze descreveu a campanha eleitoral como a mais difícil de seus 25 anos de carreira política. Outras siglas, como o Partido da Esquerda, também declararam “não cooperar com a AfD em nenhuma circunstância”, aumentando o impasse na formação do governo estadual.
Histórico e Potencial Impacto de um Governo AfD
A possibilidade de a AfD assumir o Executivo estadual na Saxônia-Anhalt carrega um peso histórico na política alemã. Nenhum partido de extrema direita governa um estado do país desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Assumir o comando daria à legenda controle sobre áreas cruciais como polícia, educação e cultura, expandindo sua influência institucional.
A situação ganha ainda mais destaque pois a AfD da Saxônia-Anhalt é classificada pelo serviço de inteligência estadual como extremista de direita, uma classificação que o partido contesta. A indefinição sobre a formação do governo estadual mantém a Alemanha em alerta quanto aos desdobramentos dessa eleição.
