Petróleo Dispara para US$ 107 com Temor de Interrupções, Preços Sobem 49% em Julho e Brasil Reage com Novos Subsídios

BRASIL

A escalada da guerra no Oriente Médio impulsionou o preço do petróleo a níveis alarmantes nesta quinta-feira (10). O barril do Brent, referência internacional, disparou 6,3%, fechando em US$ 107,63, após ultrapassar os US$ 108 durante o pregão. Este é o maior valor registrado desde maio, quando o barril atingiu US$ 114.

Desde o início de julho, a cotação do Brent tem apresentado uma alta vertiginosa, saindo de menos de US$ 72 para os atuais patamares. Essa valorização de mais de 49% reflete os crescentes temores de que o conflito continue a afetar o fluxo global de petróleo, gerando preocupação em diversos países.

O recente avanço nos preços do petróleo ocorreu após a tomada da cidade portuária de Moca, no Iêmen, pelos rebeldes Houthis, grupo aliado ao Irã. A região é considerada uma rota alternativa crucial para o transporte de petróleo da Arábia Saudita, um dos maiores exportadores mundiais.

Ameaça a Rotas Estratégicas e Impacto Global

A conquista de Moca pelos Houthis, que também assumiram o controle do porto estratégico no Mar Vermelho, intensifica a pressão sobre a Arábia Saudita. O grupo ameaçou atacar navios sauditas e já vinha direcionando ataques à infraestrutura de energia do país. Esse cenário eleva o risco de interrupções no escoamento de petróleo, com potencial para reduzir a oferta global.

Anteriormente, o conflito entre Estados Unidos e Irã já havia prejudicado o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Com novos pontos de escoamento sob ameaça, o receio de uma oferta restrita ganha força, pressionando ainda mais os preços para cima.

Nos Estados Unidos, a alta do petróleo gera preocupação para o governo do presidente Donald Trump. Combustíveis mais caros e o encarecimento de outros produtos transportados afetam a inflação e podem influenciar as decisões sobre juros no país. O cenário eleitoral, com as eleições legislativas de meio de mandato em novembro, também adiciona complexidade, com Trump indicando que os preços do petróleo podem não cair até depois do pleito.

Brasil Adota Medidas para Atenuar Impacto da Alta

Diante da escalada dos preços do petróleo, o governo brasileiro anunciou medidas para mitigar os efeitos sobre os consumidores. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto que amplia o subsídio da gasolina, elevando-o de R$ 0,44 para R$ 0,63 por litro. Além disso, os tributos sobre o etanol hidratado foram zerados, resultando em uma redução de R$ 0,19 por litro.

Uma medida provisória (MP) também foi publicada, autorizando uma subvenção de R$ 1 por litro para o diesel. Este benefício se soma ao subsídio já existente de R$ 1,12, válido até 26 de setembro, totalizando uma subvenção de R$ 2,12 por litro durante esse período.

Em resposta às mudanças nos tributos federais sobre a gasolina, a Petrobras informou que deixará de aplicar um desconto de R$ 0,44 por litro na gasolina A. Com isso, o preço médio de venda da gasolina A da Petrobras para as distribuidoras passará a ser de R$ 3,05 por litro, o que, segundo a empresa, resultará em uma redução líquida de R$ 0,19 por litro, considerando os tributos.

Os dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referentes ao período de 30 de agosto a 5 de setembro, indicam que o preço médio da gasolina no Brasil era de R$ 6,51 por litro. O diesel S-10 era vendido a R$ 6,88, e o etanol hidratado, a R$ 3,95 por litro.

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