Trump atende pedido do Paquistão e estende cessar-fogo com Irã, mas mantém bloqueio em Ormuz
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (21) a prorrogação do cessar-fogo contra o Irã. A decisão atende a um pedido do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que busca mediar a paz entre as nações. Trump determinou que as Forças Armadas americanas mantenham a suspensão das ações ofensivas até que representantes iranianos apresentem uma proposta unificada para negociações.
Contudo, a medida de bloqueio marítimo no Estreito de Ormuz, imposta em 12 de abril e classificada pelo Irã como um “ato de guerra”, foi mantida. A extensão do cessar-fogo, acordado inicialmente em 8 de abril, ocorreu a poucas horas do fim da trégua original.
Segundo o comunicado de Trump, divulgado em sua plataforma Truth Social, a iniciativa de suspender o ataque ao Irã partiu de apelos do marechal de campo paquistanês Asim Munir e do primeiro-ministro Shehbaz Sharif. “Diante disso, determinei que nossas Forças Armadas continuem o bloqueio e, em todos os demais aspectos, permaneçam prontas e capazes, e, portanto, estenderei o cessar-fogo até que tal proposta seja apresentada e as negociações sejam concluídas, de uma forma ou de outra”, declarou o presidente americano.
Irã reage com ceticismo à decisão dos EUA
Apesar de uma resposta oficial do governo iraniano ainda não ter sido formalizada, Mahdi Mohammadi, assessor do presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, minimizou a relevância da decisão da Casa Branca, classificando-a como “pouco relevante”.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã, na segunda-feira (20), já havia demonstrado incerteza sobre a participação do país na segunda rodada de negociações com os Estados Unidos, acusando Washington de não levar o diálogo a sério. A falta de clareza por parte das autoridades iranianas levanta dúvidas sobre a realização de futuras conversas.
Delegação americana adia viagem ao Paquistão
Era esperado que uma delegação liderada pelo vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, viajasse ao Paquistão para a segunda rodada de conversas em Islamabad, agendada para quarta-feira (22). No entanto, fontes anônimas informaram ao “The New York Times” que a viagem foi adiada. Porta-vozes da Casa Branca confirmaram que a partida não ocorreria mais nesta terça-feira, com J.D. Vance e outros enviados, Jared Kushner e Steve Witkoff, presentes na Casa Branca.
Baixa aprovação de Trump em meio a conflitos
A decisão de Trump ocorre em um momento delicado para sua administração, com a taxa de aprovação presidencial em seu nível mais baixo. Uma pesquisa Reuters/Ipsos revelou que apenas 36% dos americanos aprovam o desempenho de Trump no cargo. Essa baixa popularidade coincide com a guerra em andamento com o Irã e uma disputa com o Papa Leão.
A guerra iniciada pelo governo americano e Israel contra o Irã em fevereiro elevou drasticamente os preços da gasolina, impactando a opinião pública. Apenas 36% dos americanos aprovam os ataques militares dos EUA contra o Irã, um número que pouco variou em pesquisas recentes.
O levantamento também indicou preocupações entre os americanos, incluindo membros do Partido Republicano, sobre o temperamento e a saúde mental do presidente de 79 anos, devido a declarações agressivas. Apenas 26% dos americanos consideram Trump “equilibrado” (even-tempered), com uma divisão notável entre republicanos (53% o veem como equilibrado) e democratas (apenas 7% compartilham dessa visão).
